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Escadas Rolantes

Na minha terra costuma dizer-se: Quando a merda chega à ventoinha, ficam todos cagádos!

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Na minha terra costuma dizer-se: Quando a merda chega à ventoinha, ficam todos cagádos!

07
Jul18

A luta contra o preconceito

escadas

As boas histórias são para serem partilhadas.

Decorria o ano de 1982. O jovem Fernando Neves tinha começado a trabalhar (a sério) há pouco mais de um mês na Arnaldo Trindade a “casa” de muitos dos nomes mais prestigiados da música nacional.

Aquela manhã ria ser diferente. Desde logo porque iria ser passada nos estúdios da rua de Campolide, ali nasceram muitas das canções que hoje trauteamos.

Já não me lembro se foi o Moreno Pinto ou o jovem Barata que estava de serviço, mas lembro-me da cara de todos quando o “artista” entrou pela pesada porta do estúdio 1 para gravar o seu grande êxito desse verão. O protagonista estava afónico!

Pior, a gravação não podia ser adiada pois esperava-o uma digressão pela Alemanha.

Solução…Injeção de “Ricomel” muito em voga na altura e que mais não era que uma mistura explosiva de “Comel” com “Ricolon”.

Menos de uma hora mais tarde, o jovem cantor ainda com 39 de febre, mas com a garganta visivelmente menos inflamada, dispõe-se a registar para a posteridade os primeiros acordes das duas canções que fariam parte do 45 rotações e que o jovem Neves em breve iria levar para as estações de rádio e convencer os locutores a passa-la até à exaustão!

A canção principal não era original. Era uma versão de um tema alemão da dupla Cordalis/Frankfurter sendo a versão portuguesa de Carlos Pontes.

O tema de que falo chama-se “Amor de Verão” e naquele ano de 1997, não havia ninguém que não a cantarolasse.

O cantor chamava-se José Malhoa e era um ”velho” conhecido do jovem Neves em virtude de terem partilhado os palcos alguns anos antes (sim eu já tive outra vida).

José Malhoa gravou nessa manhã o seu maior êxito até então! E como o dia não se fazia esperar, logo a seguir ao almoço, meteu-se na sua carrinha (atulhada com o sistema de amplificação) e fez-se à estrada até à Alemanha. Antes porem deu boleia a este vosso escriba, até aos escritórios da Arnaldo Trindade na Columbano Bordalo Pinheiro.

Quando entrei no carro (ou carrinha) dei por mim a vasculhar as cassetes de música que estavam espalhadas pelo “tablier” e que iriam fazer companhia ao Malhoa durante muitas horas. Antes que me pudesse concentrar e fazer uma lista mental do que por ali havia, o Zé liga o auto-rádio e levanta bem alto o som para que eu pudesse apreciar devidamente o que aquelas colunas “Blaupunkt” reproduziam (e agora é que vem a boa parte da história) e sabem o quem é que estava a cantar naquela cassete?

Aceitam-se palpites……………………………………………………………………………………………………………………

Nem mais nem menos do que George Benson! Mais propriamente o “The George Benson Collection”

Pois é… o grande José Malhoa, ouvia George Benson durante as suas viagens.

Desde esse dia fiquei com uma ideia diferente do Malhoa, nunca me esqueci desta história e fez-me recordar para a vida que o preconceito pode destruir uma boa relação.

Partilhei muitos e bons momentos com o Zé e a sua pequenita Ana (sim, andei ao colo com ela, coisa impossível de acontecer atualmente) e tal como ele,  também não esqueço a Rosa.

José Malhoa esteve hoje no “Alta definição” da SIC e esta foi a melhor forma que encontrei de homenagear um grande homem, um ser humano extraordinário.

 

malhoa.jpg

 

 

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