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Escadas Rolantes

Na minha terra costuma dizer-se: Quando a merda chega à ventoinha, ficam todos cagádos!

Escadas Rolantes

Na minha terra costuma dizer-se: Quando a merda chega à ventoinha, ficam todos cagádos!

17
Jun17

Os Ciganos do Porto

escadas

manuel dos santos.jpg

 

Demorei algum tempo a reagir ao texto / desabafo tornado público pelo eurodeputado Manuel dos Santos.

Faço-o hoje por pudor mas também por coerência para com os princípios que os meus Pais me ensinaram.
Diz o meu amigo Ricardo Gonçalves, que Manuel dos Santos foi infeliz na sua observação. Lamento mas não foi.

O eurodeputado eleito na lista do Partido Socialista e representante do povo português em Bruxelas, não foi infeliz no que disse, ele apenas foi sincero, e não foi a primeira vez. Relembro que durante a campanha das directas que levou António Costa à liderança do PS, Manuel dos Santos disse de Costa o que Maomé não disse do toucinho, mas isso são águas passadas.
O que está em causa é opinião que este representante da nação tem sobre um dos seus concidadãos e isso é algo que deve ser considerado no mais breve espaço de tempo.
Contrariamente ao que pensa Ricardo Gonçalves, eu acho que Manuel dos Santos deve de facto ser censurado e afastado de cargos electivos.

Um partido responsável e que se quer respeitado não pode ter nas suas fileiras, dirigentes que se prestam a este tipo de apreciações xenófobas e caciqueiras, que por despeito ou ignorância possam ser entendidas como uma matriz funcional.
Não serve de desculpa o facto da pessoa em causa ter lutado pela liberdade ou ser um histórico do Partido Socialista. Sotto Mayor Cardia, a seu modo foi igualmente um histórico do PS e um lutador da liberdade e infelizmente a doença afastou-o do nosso convívio.
Exige-se uma resposta rápida e coerente.
A boa "praxis" assim o exige.

 

ciganos-romenos-01jul12-580x360.jpg

 

07
Jun17

Ex Nihilo Nihil Fit

escadas

A Secretária Geral Adjunta do Partido Socialista assina hoje no JN, um artigo de opinião sobre a condição de “independente”.

Por ter relativamente a esta matéria, uma opinião contrária, remeto para este espaço o meu entendimento sobre a reflexão que a

Dra. Ana Catarina Mendes hoje protagoniza.

 

 

formigas.jpg

 

Ser-se independente não é um estado de espírito.

Muitos daqueles que hoje se reclamam como tal, já militaram em partidos políticos e se o deixaram de ser é porque os mesmos deixaram de ser uma constância na sua participação cívica.

Os partidos não são todos iguais e se alguma dúvida existia, a gestão do actual governo veio demonstrar que há de facto uma diferença profunda entre esquerda e direita. No entanto essa diferença já não se reflete a nível ideológico, há muito que deixamos de ter partidos marxistas, ou trotskistas. Os partidos hoje em dia valem pelas suas lideranças. O PSD de hoje por exemplo não tem praticamente nada a ver com o mesmo PSD neo liberal de Cavaco Silva ou de Francisco Sá Carneiro, no entanto os militantes são os mesmos, o mesmo acontecendo com o Partido Socialista.

Este PS está longe do Partido Socialista de Mário Soares e de António Campos por exemplo ou meso de Jorge Sampaio. O que eu quero dizer com isto é que é a prática política que cada partido imprime na gestão dia a dia que define um maior ou menor alinhamento partidário. De nada serve a determinado partido estar no governo se os seus militantes tiverem uma “Praxis” (eu também sei grego) contrária aos princípios definidos pelo seu líder.

Não se pode erguer a bandeira da solidariedade por um lado e por outro ter dirigentes partidários a praticarem o oposto.

O facto de cidadãos terem optado por se manterem à margem da actividade partidária não faz deles um “deus menor” ou uma espécie de “madalenas arrependidas” e muito menos alvos privilegiados de “desculpas de mau pagador”.

Ser-se independente significa em primeira análise que o individuo se mantém equidistante das lideranças partidárias e que se reserva a dar ou não o seu voto em dia de eleições. Os partidos têm que perceber de uma vez por todas que “vivem para os cidadãos” e não, “apesar dos cidadãos” e isto não é uma questão de se ser mais ou menos democrático, é o que faltava só se poder outorgar a chancela democrática a partir da actividade partidária!

O que não compreendo no discurso da Dra. Ana Catarina Mendes é este seu súbito assumir de culpas e passo a citar

 

“Não posso deixar de reconhecer que algum fundamento para a propagação destas ideias tem sido o próprio funcionamento dos partidos, cuja reforma e abertura tem de ser uma preocupação e um combate constante e nunca acabado por parte dos responsáveis políticos. O fechamento dos partidos sobre si próprios, a natureza de sindicatos de voto de algumas estruturas partidárias e a falta de um verdadeiro pluralismo interno constituem fatores objetivos para o afastamento dos cidadãos, não apenas dos partidos, mas também da própria participação democrática.”

 

Dito isto pergunta-se; mas a Dra. Ana Catarina Mendes enquanto Secretária Geral Adjunta do Partido Socialista não é a responsável por esta reforma? O cargo que ocupa dentro da estrutura do seu partido não deveria ser aquele que deveria coordenar/promover/implementar essa mesma reforma?

Mas o artigo de opinião da secretária geral adjunta do PS tem mais “Vox nihili“ (como se comprova eu também sou um poço de sabedoria).

Atendamos agora a esta breve passagem da sua reflexão:

 

“Há um princípio fundamental que é bom que nunca ninguém esqueça, não há democracia sem partidos. E o primeiro dever dos democratas é a defesa da democracia"

 

Devo dizer em abono da verdade que já ouvi várias vezes este “Vox Populi” (mais uma…) e muito sinceramente não me apetece recordar esses anos longínquos em que se referendaram as tendências totalitárias e as "unicidades" de alguns responsáveis políticos.

Mas numa coisa estamos de acordo; o primeiro dever dos democratas é defender a democracia, aliás deve ser por isso mesmo que muito desses democratas, não militando em partidos políticos, continuam a participar activamente nas assembleias municipais da sua área de residência, dando assim um contributo inequívoco para o pluralismo democrático. São estas pessoas, que enchem os salões municipais mas que também discutem a coisa pública nos mercados ou nos restaurantes há hora de almoço e que apontam o dedo aos partidos e aos seus dirigentes sempre que não defendem esses mesmos valores democráticos.

Estes independentes não hipotecam o seu voto a qualquer preço. São resilientes e pedem esforço, dedicação e…solidariedade em troca de um sim no dia das eleições.

E é desta independência que os partidos têm medo!

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