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Escadas Rolantes

Na minha terra costuma dizer-se: Quando a merda chega à ventoinha, ficam todos cagádos!

Escadas Rolantes

Na minha terra costuma dizer-se: Quando a merda chega à ventoinha, ficam todos cagádos!

12
Jul13

COITUS INTERRUPTUS

escadas

 

 

 

 

Por incrível que possa parecer, a principal nota a retirar do discurso à Nação do presidente da República, foi a tentativa de “encostar o Partido Socialista, às cordas”.

Correndo o risco de não interpretar correctamente as palavras de Cavaco Silva (o que não seria de estranhar, já que os principais analistas também não o perceberam), o senhor presidente, entende que a solução para o pântano em que este governo PSD/CDS nos colocou, é um acordo com o Partido Socialista.

Ou seja, durante dois anos, Passos Coelho negociou a seu belo prazer com a Troika, todas as alterações que entendeu fazer ao memorando inicial.

Durante dois anos, o chefe do governo, com o apoio explícito de Cavaco, fez “tabua rasa” de tudo o que prometeu e disse durante a campanha eleitoral e nunca consultou o maior partido da oposição, nem os restantes partidos que têm assento parlamentar.

Durante dois anos, Passos Coelho seguiu teimosamente por um caminho, que até o seu principal executor, Vítor Gaspar, reconheceu estar errado, e agora, confrontado com essa irresponsabilidade e o total falhanço das políticas que protagonizou, entende que a única solução está no apoio do Partido Socialista a essas mesmas políticas.

O mais grave disto tudo, é que Cavaco Silva, aparece a dar o seu beneplácito a esta posição, aliás o discurso de Cavaco, é tudo menos infantil. Não partilho da ideia de todos aqueles que entendem que Cavaco deu um murro na mesa e que puxou as orelhas a Passos Coelho, se não vejamos;

Cavaco demitiu este Governo, ou colocou-o a prazo? – NÃO!

Cavaco disse taxativamente que não dava posse ao novo governo proposto por Passos? - NÃO!

Cavaco disse em que moldes, é que iria funcionar a governação daqui em diante? - NÃO!

 

Cavaco, num golpe de “génio” e percebendo que a opinião pública já não acredita neste governo e neste PSD, decide realizar eleições antecipadas. Quando????? Daqui a um ano!

Mais, refere na sua intervenção, que o actual estado de crispação não permitiria a realização de eleições antecipadas em Setembro, o que leva a perguntar, quando é que se devem realizar eleições, será que é quando estamos todos a dormir? Mas a marcação de eleições antecipadas para daqui a um ano, é tudo menos inocente. Cavaco, sabe que um ano, dá tempo ao PSD fazer novo congresso e encontrar novo líder, quiçá o seu amigo Rui Rio, o qual deixará a Câmara do Porto no final deste ano (e não antes!!).

Cavaco sabe que, uma nova liderança poderá fazer esquecer o desastre de proporções cataclísmicas, que representa a governação de Passos Coelho.

Esta direita neoliberal, aqui representada pelo seu sargento-mor Aníbal Cavaco Silva, não entende o rumo da história e tenta a todo o custo perpetuar-se no poder. E esta perpetuação, faz-se de que modo?

Esta ideia de que a solução, passa exclusivamente pelo governo de salvação nacional, é uma enorme falácia.

Cavaco não quer nenhum governo de salvação, Cavaco quer apenas que o Partido Socialista e António José Seguro, dêem o seu apoio a uma gestão que de tão criminosa que é, deveria se sancionada pela justiça!

 

O interesse nacional, não está nestes consensos! O interesse nacional está na realização de eleições, devolver a palavra aos portugueses e agir em conformidade com o resultado dessa consulta. A nossa democracia e sobretudo, a nossa independência, residem na forma como fizermos frente às sucessivas tentativas de condicionamento que temos sido sujeitos.

 

Um país pobre mas livre, será sempre melhor que um rico, mas escravizado!



04
Jul13

Rádio Alcatifa

escadas

Caros amigos

Partilho convosco, o trabalho final que apresentei na cadeira de "Questões Contemporâneas da Comunicação e da Cultura", no âmbito do Mestrado que estou a fazer no ISCTE.

 

 

 

 

Portugal nunca teve uma tradição de rádios comunitárias.

Contrariamente ao que se passou no resto da Europa, o espectro radiofónico português, sempre foi dominado pela rádio do Estado, a rádio da igreja católica, o Rádio Clube Português e meia dúzia de pequenas estações emissoras que se reuniam sob a designação de Emissores Associados de Lisboa.

Chegou a pensar-se, que com o aparecimento das”novas rádios”e a liberalização das frequências, pudessem aparecer este tipo de rádios, mas a tendência foi precisamente a contrária do esperado, uma mimetização dos modelos evidenciados e em muitos casos, criticados pela maioria.

 

A ideia de emissoras de radiodifusão alternativas e autónomas, desvinculadas dos padrões institucionais impostos pelo controle estatal, não é recente.

Embora o termo rádio livre esteja mais associado às emissoras que surgiram nos anos 70, o “fenómeno” existe desde o início da radiodifusão, mas foi precisamente na década de 70, associado aos movimentos libertários europeus, em especial em Itália e França, que a denominação ganhou um maior impulso político, desenvolvendo-se através de emissões locais de alcance reduzido.

Acredita-se que a primeira rádio de caracter livre tenha sido uma emissora sindical que surgiu na Áustria em 1925!

 

Aqui ao lado, a vizinha Espanha tem inúmeras rádios comunitárias, chegando ao cúmulo de na Catalunha, existirem projectos que são financiados pela própria “Junta Autónoma”.

 

Os mais românticos, dirão que este não é no entanto o modelo original da Rádio Comunitária, que este tem que ser livre, eventualmente à margem da lei por forma a poder disputar a seu belo prazer o espectro radiofónico e emitir nas frequências que desejar.

O Brasil tem muitos exemplos deste tipo de guerrilha radiofónica, com “quartéis” perfeitamente estabelecidos nos morros das favelas e partilhando em algumas horas do dia, as frequências das rádios oficiais e de grande audiência.

 

Confunde-se com alguma frequência as designações “Rádio Livre” e “Rádio Comunitária”.

Apesar de algumas querem que seja o mesmo, de facto a diferença é enorme.

Pela natureza do nome, a rádio comunitária, insere-se no espírito de comunhão entre os membros de uma determinada comunidade ou bairro, o seu espectro de difusão é extremamente limitado do ponto de vista estrutural, funciona com a “boa vontade” de alguns e assume-se como o ele de ligação entre todos os moradores do bairro, ao dar informações estritamente de interesse local e proporcionar debates sobre temas relacionados exclusivamente com a comunidade.

A “Rádio Comunitária Mania” por exemplo, surgiu no Brasil no bairro de Porto Canoa na região de Serra em 1995 e o processo adoptado para a difusão foi a do cabo, ou seja, os responsáveis pelo projecto, colocaram estrategicamente nas ruas do bairro, principalmente nas paragens de autocarro e áreas comerciais, pequenas colunas de som que ligadas entre si, amplificavam a emissão da rádio. Não havia frequência radiofónica e como tal não era possível ouvir a Rádio Mania, numa vulgar telefonia. A sua programação, visava fundamentalmente a divulgação de promoções do comércio local, entrevistas com moradores e debates sobre temas comunitários.

Em dois anos, o sucesso desta “rádio”, fez com que expandissem o seu “sinal” a dois bairros vizinhos!

Hoje em dia, esta rádio não só conquistou uma frequência, como adquiriu outras rádios, estando presente actualmente em 12 comunidades na região de Serra.

Relativamente à Rádio Livre, ou ao espírito libertário que lhe está associado, uma vez mais e pela natureza do nome, se depreende que tende a estar à margem da lei.

A Rádio Caroline, será porventura o exemplo mais conhecido, mas existem muitos outros exemplos em toda a Europa, sendo que Itália congrega o maior número delas.

Em Portugal, durante os anos que antecederam a legalização das chamadas rádio locais, existiram algumas tentativas de emissão das chamadas Rádios Livres. A constante guerra de frequências que se viveu então, levou a que muitas destas rádios se preocupassem mais na conquista do espaço de emissão, do que propriamente nos conteúdos a emitir, por isso mesmo a adesão da população nunca foi muita.

Para os defensores das Rádios Livres a difusão de publicidade é algo que não é sequer equacionável pois esta, deverá viver sempre livre do espectro comercial e da sua dependência.

O panorama actual é desolador.

Com uma ou outra excepção (ente elas a Rádio Manobras no Porto) Portugal será dos poucos países em que não há de facto uma rede de rádios comunitárias!

O apogeu das Web Rádios e o desenvolvimento tecnológico poderá alterar esta realidade em breve, mas até lá…

A Rádio Alcatifa, tenta de alguma forma, dar o pontapé de saída.

Uma rádio que não se move pela ditadura da “play list” em que os temas apresentados, surgem, porque significam de facto algo e não apenas porque estão nos tops de venda.

Uma rádio com prioridade à palavra e ao que ela significa enquanto elo de ligação entre as pessoas.

Uma rádio que devolva a “esfera pública” aos ouvintes, tornando-os protagonistas da “sua” rádio, confrontando-os com as suas próprias deficiências, provocando rupturas se for esse o caso.

Uma rádio irreverente e que simultaneamente consiga ainda surpreender, devolvendo ao “éter” a paixão e a emoção de outros tempos.

Mais do que uma homenagem aos “obreiros” da telefonia sem fios, a Rádio Alcatifa, pretende jogar com os sons e as palavras, criando uma atmosfera própria, onde a mensagem, por vezes muito subliminar, é uma constante.

A Rádio Alcatifa não é inocente, a sua militância é assumida desde o primeiro minuto, através do reconhecimento implícito de uma eventual falta de paixão. Reconciliando-se logo de seguida, num acto de redenção para com o seu público.

O acto de comunicar reflecte estas preocupações; a reconciliação com o receptor, a única forma da relação emissor – receptor existir e produzir frutos, conhecimento.

A não existência de caixas de som, como as da Rádio Mania, faz com que seja fácil mudar de frequência, sintonizar outra estação. No nosso dia a adia, este simples acto, repete-se vezes sem fim, sempre que a “emissão “ não nos agrada, ou seja, sempre que a comunicação seja deficiente.

Veja-se por exemplo o ciclo eleitoral, cada vez mais contestado por aqueles que não ganharam e que leva a que muitas vezes as eleições se antecipem em dois ou mais anos.

A comunicação está longe de estar perfeita e os intérpretes têm cada vez mais dificuldade em se expressar, criando verdadeiros anacronismo históricos.

A falta de trabalho, as dificuldades cada vez maiores para o conseguir, são também aqui tratados de uma forma, pouco ortodoxa.

A Rádio Alcatifa não é uma rádio óbvia, mas se obrigar a pensar, nem que seja por uma “pequena” hora e meia, já é meio caminho andado.

 

Conceito, edição, realização de entrevistas e recolha de sons: Fernando Neves

 

ISCTE, MCCTI – 2012 / 2013

“Questões Contemporâneas da Comunicação e da Cultura”

 

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