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Escadas Rolantes

Na minha terra costuma dizer-se: Quando a merda chega à ventoinha, ficam todos cagádos!

Escadas Rolantes

Na minha terra costuma dizer-se: Quando a merda chega à ventoinha, ficam todos cagádos!

08
Fev19

JUÍZES DO SANTO OFÍCIO

escadas

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Por estes dias corre tinta (muita diga-se de passagem) sobre as mulheres vítimas de violência doméstica. Os militantes da demagogia eclesiástica, já vieram a terreiro bradar cobras e lagartos contra o Estado (entenda-se O GOVERNO) que uma vez não cuidou ou protegeu os seus cidadãos.

Talvez assim seja, talvez o Estado essa instituição omnipresente devesse, qual Deus na Terra, estar em todo o lado. Não digo que não. O estado Social já viu melhores dias é um fato, mas…e a justiça, a nossa justiça? Qual o contributo que tem dado para que a morte violenta de mulheres se transforme numa banalidade mundana e alvo da cobiça dos Correios da Manhã deste mundo?

É verdade que muitas mulheres se sentem cada vez mais desesperadamente sós. É verdade que a busca de soluções leva muitas vezes a respostas estremas, mas também é verdade que os tribunais e os juízes que neles trabalham têm contribuído para uma certa impunidade que perpassa em Portugal.

São inúmeros os casos de sentenças que mais parecem homilias do “santo ofício” e que teimosamente continuam a identificar as mulheres como as únicas causadoras dos tormentos porque passaram.

Somos uma sociedade de marialvas. Frases como “Estavas mesmo a pedi-las…” ou “com essa roupa estavas á espera de quê?” refletem bem um léxico que faz parte do imaginário masculino, não admira por isso que juízes como Neto Moura olhem para um bom par de pernas e se instrospecionem: “pois…estavas mesmo pedi-las…queixas-te de quê agora???”.

Sejamos claro, o Senhor Juiz Neto Moura pode pensar assim, é um direito que lhe assiste. O que não se compreende, é como é que este tipo de atuação passa incólume sem que nada lhe aconteça.

Este senhor juiz, depois de tudo o que foi dito e escrito, vai continuar a julgar os seus semelhantes e isso é que inaceitável.

Tomei conhecimento de uma história que aconteceu há pouco tempo. Ricardo Salgado decidiu ir jantar fora com a família. Ao entrar no restaurante foi recebido por uma “orquestra” de talheres a tinirem em copos de vidro. Ao que consta a “manifestação” abrangeu todos os clientes do restaurante. O barulho e o incómodo foi tal, que Ricardo Salgado se viu obrigado a ir embora. Achei curiosa esta reação e eu próprio se estivesse lá teria aderido ao “concerto”, por isso mesmo pergunto:

E se os portugueses começassem a ir para a porta do tribunal onde esse senhor juiz trabalha e munidos de tachos e panelas fizessem a mesma coisa?

(dá que pensar)

23
Dez18

Um Santo e Feliz Menino Jesus

escadas

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Reza a tradição que por estes dias se desejem “boas festas”.

Entende-se por este “cumprimento” que se vão celebrar várias “festas” e no entanto é sabido que a data que se assinala é apenas uma e refere-se ao nascimento de Jesus.

Curiosamente este é um acontecimento que é celebrado até por quem não acredita no Divino e para quem estas coisas que transcendem a nossa existência não passam de uma boa manobra de marketing para iludir e manipular os mais fracos.

Já estive nos dois lados e hoje em dia tenho razões de sobra para acreditar e celebrar a Festa.

Esta é a minha festa. A festa da família.

E nesta família incluo aqueles que o são de sangue, mas também os outros, aqueles que ao longo da vida passaram a fazer parte integrante das minhas reflexões, todos aqueles que partilham o meu dia-a-dia, aqueles que sofrem comigo nas situações mais difíceis mas que também sabem regozijar-se com as minhas vitórias e assim transformá-las em vitorias de todos.

Sendo o Natal uma festa que celebra o nascimento, é também nestas alturas que celebro a partida daqueles que já não estão cá e que já partiram para uma outra existência e…têm sido tantos caraças!

Esta é a minha festa!

E como eu não perco uma boa festa, tento repeti-la o mais possível ao longo do ano.

O sentimento de partilha que se vive por estes dias, só faz sentido se o fizermos repetidamente, sem olhar a datas ou a apelos consumistas.

Bem sei que o nosso mundo está estranho (e perigoso) e que à nossa volta se vê cada vez mais gente que só vive a olhar para o seu umbigo, mas acreditem, a vida só tem graça quando é partilhada por todos!
E lembrem-se, CADA UM DE NÓS TAMBÉM É OS OUTROS!

Dito isto, desejo-vos a todos sem exceção, um Santo e feliz Natal e que este espirito de partilha e comunhão perdure no resto do ano.

14
Dez18

enfermeiros e enfermagem (com letra pequena)

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Antes que me chamem nomes (e vão chamar), devo esclarecer que sou parte interessada neste diferendo que opõe os enfermeiros ao governo.
Tenho pelos enfermeiros uma admiração profunda. Sou filho de uma enfermeira e estou casado com uma, conheço pessoalmente muitos dos dirigentes sindicais desta classe profissional e como se não chegasse, trabalhei na Ordem que em principio os deveria unir.
Dito isto e como me tenho mantido neutral nesta greve que já dura há 3 semanas, entendi que enquanto cidadão e utilizador do SNS, deveria tornar pública a minha opinião.

Estarei sempre na linha da frente nas batalhas que impliquem a defesa das liberdades democráticas e dos direitos constitucionais que as vinculam, mas há formas de “luta” inadmissíveis e entre elas estão as que “sacrificam” única e exclusivamente aqueles que supostamente deveriam ser a prioridade desses mesmo profissionais. Os enfermeiros poderão ter toda a razão nos seus protestos, a forma como os concretizam é no entanto INTOLERAVEL num estado de direito!
Os enfermeiros estiveram sempre na linha da frente no que toca ao apoio dos mais necessitados (todos nós ao fim e ao cabo). Em situações de desespero e de maior fragilidade, é com os enfermeiros que podemos contar. No frio solitário de uma enfermaria, no meio de uma noite de angústia, podemos sempre contar com uma mão amiga que ali está para nos ajudar.
Os enfermeiros foram sempre o nosso garante…pelo menos era isto que eu achava.
No dia em que esta ligação se quebrar, termina a relação de confiança e a razão de ser desta classe profissional, passa a ser a mesma que a do senhor do talho ou do dono da pastelaria; estão ali apenas para fazer dinheiro e os pães têm que se vender, quer eles estejam duros ou não.
O caminho que os enfermeiros estão a percorrer é perigoso e poderá colocar em causa muitos e muitos anos de uma luta pelo reconhecimento de uma classe profissional que muito injustamente foi ostracizada durante muitos anos.
Eu sei que todas as classes profissionais têm direito a ter um Jaime Marta Soares, mas os enfermeiros deveriam ser uma excepção, SEMPRE FORAM!

02
Set18

O Sonho que Alimenta a Vida

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De vez em quando (de 10 em 10 anos) gosto de ir ao cinema para ver um filme que me faça sonhar com uma pequena ilha algures na bacia Mediterrânica, na costa da Grécia.

Gosto de imaginar que vivo nessa ilha. Sou dono de um pequeno restaurante que fica situado num dos socalcos da encosta virada a sul, com vista para o azul índigo do mar Egeu. A alma do restaurante é a sua esplanada, com cadeiras únicas sarapintadas de um azul luzidio como se chamassem as águas cálidas que banham lá em baixo a costa da ilha fazendo lembrar os “páteos” sicilianos cheios de luz e emoção.

É aí que eu passo os meus dias. Descalço 24 horas por dia, e fazendo saborosos petiscos que os habitantes locais me ensinaram e que eu temperei com a tradição alentejana.

Todos os dias ao fim da tarde, o restaurante faz uma pausa para que toda a gente possa, as guitarras portuguesas que servem de banda sonora a este “retiro” silenciam-se para que todos possam contemplar o pôr-do-sol em sinal de respeito por mais um dia que pudemos usufruir neste paraíso e com a esperança que o sol que agora se vai pronuncie o nascimento de um novo dia.

As noites são mais calmas e variam entre a vibrante luz dos archotes que iluminam as mesas e as ameijoas regadas com vinho verde sempre fresco e as espetadas de lulas e chocos grelhados acompanhados de pão torrado com azeite e orégãos.

Quando me deito todas as noites dou graças por poder viver assim sabendo que na manhã seguinte terei à porta de casa uma saca de pão quente acabado de cozer, para o meu pequeno-almoço que um dos meus vizinhos continua a fazer religiosamente todos os dias.

“Once in a while” vou ao cinema (de 10 em anos) para alimentar este sonho.

Fui ver o “Mamma Mia” e lembrei-me que este era também um “guilty pleasure” do Jaime Fernandes. Os Abba era uma das coisas que nos relacionava, tal como a vontade de sonhar com “coisas”…

É isso que nos faz andar para a frente.

Bom fim-de-semana.

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07
Jul18

A luta contra o preconceito

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As boas histórias são para serem partilhadas.

Decorria o ano de 1982. O jovem Fernando Neves tinha começado a trabalhar (a sério) há pouco mais de um mês na Arnaldo Trindade a “casa” de muitos dos nomes mais prestigiados da música nacional.

Aquela manhã ria ser diferente. Desde logo porque iria ser passada nos estúdios da rua de Campolide, ali nasceram muitas das canções que hoje trauteamos.

Já não me lembro se foi o Moreno Pinto ou o jovem Barata que estava de serviço, mas lembro-me da cara de todos quando o “artista” entrou pela pesada porta do estúdio 1 para gravar o seu grande êxito desse verão. O protagonista estava afónico!

Pior, a gravação não podia ser adiada pois esperava-o uma digressão pela Alemanha.

Solução…Injeção de “Ricomel” muito em voga na altura e que mais não era que uma mistura explosiva de “Comel” com “Ricolon”.

Menos de uma hora mais tarde, o jovem cantor ainda com 39 de febre, mas com a garganta visivelmente menos inflamada, dispõe-se a registar para a posteridade os primeiros acordes das duas canções que fariam parte do 45 rotações e que o jovem Neves em breve iria levar para as estações de rádio e convencer os locutores a passa-la até à exaustão!

A canção principal não era original. Era uma versão de um tema alemão da dupla Cordalis/Frankfurter sendo a versão portuguesa de Carlos Pontes.

O tema de que falo chama-se “Amor de Verão” e naquele ano de 1997, não havia ninguém que não a cantarolasse.

O cantor chamava-se José Malhoa e era um ”velho” conhecido do jovem Neves em virtude de terem partilhado os palcos alguns anos antes (sim eu já tive outra vida).

José Malhoa gravou nessa manhã o seu maior êxito até então! E como o dia não se fazia esperar, logo a seguir ao almoço, meteu-se na sua carrinha (atulhada com o sistema de amplificação) e fez-se à estrada até à Alemanha. Antes porem deu boleia a este vosso escriba, até aos escritórios da Arnaldo Trindade na Columbano Bordalo Pinheiro.

Quando entrei no carro (ou carrinha) dei por mim a vasculhar as cassetes de música que estavam espalhadas pelo “tablier” e que iriam fazer companhia ao Malhoa durante muitas horas. Antes que me pudesse concentrar e fazer uma lista mental do que por ali havia, o Zé liga o auto-rádio e levanta bem alto o som para que eu pudesse apreciar devidamente o que aquelas colunas “Blaupunkt” reproduziam (e agora é que vem a boa parte da história) e sabem o quem é que estava a cantar naquela cassete?

Aceitam-se palpites……………………………………………………………………………………………………………………

Nem mais nem menos do que George Benson! Mais propriamente o “The George Benson Collection”

Pois é… o grande José Malhoa, ouvia George Benson durante as suas viagens.

Desde esse dia fiquei com uma ideia diferente do Malhoa, nunca me esqueci desta história e fez-me recordar para a vida que o preconceito pode destruir uma boa relação.

Partilhei muitos e bons momentos com o Zé e a sua pequenita Ana (sim, andei ao colo com ela, coisa impossível de acontecer atualmente) e tal como ele,  também não esqueço a Rosa.

José Malhoa esteve hoje no “Alta definição” da SIC e esta foi a melhor forma que encontrei de homenagear um grande homem, um ser humano extraordinário.

 

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04
Mai18

A caixa de Pandora

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Ponderei muito se devia escrever alguma coisa sobre o dia de hoje...

Ponderando os prós e os contras, achei que todos nós e principalmente os dirigentes partidários devemos meditar sobre o que leva uma pessoa, um militante de um partido político a abandonar a militância desse mesmo partido?

Se os partidos políticos são o cerne da democracia, os militantes são os arquétipos dessas organizações.

Sem militantes,os partidos não passam de obsoletos salões de chá onde senhoras que já viveram dias melhores, consomem as horas em busca de um tempo que já não volta.

Um partido sem memória, é um partido sem história.

Um partido sem passado, é um partido com o futuro condenado!

Não falo por mim. Como alguns saberão, abandonei a militância partidária há mais de 3 anos, mas no dia de hoje revejo-me nas angustias e nas frustrações de todos aqueles que deram a sua vida por um ideal comum e que de repente compreenderam que estavam sós na berma da estrada e que por ali não vai passar mais nenhum autocarro.

É costume dizer-se que não existem militantes de primeira ou de segunda, mas toda a gente sabe que isso não é verdade. José Sócrates era um desses.

Ao longo do dia de hoje foram muitas a personalidades que demonstraram publicamente a sua solidariedade para com o antigo Secretário Geral do PS. 

Sócrates não precisa da minha solidariedade nem eu preciso de a demonstrar, mas há coisa que têm que ser ditas por mais difíceis que possam parecer.

É como diria Antero:

"Chegar onde eu cheguei, subir à altura
Onde agora me encontro - é ter chegado
Aos extremos da Paz e da Ventura!​"

04
Jul17

OS MENINOS DO CORO

escadas

Na passada quinta-feira, as redes sociais foram inundadas com a notícia de que o governo (leia-se – Partido Socialista) tinha encomendado um “focus group” (leia-se sondagem), na sequência dos trágicos acontecimentos de Pedrogão Grande/Figueiró dos Vinhos, com o intuito de apurar se a popularidade do executivo tinha sido atingida/beliscada pelos infelizes desenlaces.

Muito sinceramente, o que me incomoda não é o facto de toda a direita em peso ter dado eco a esta “pseudo noticia”, fizeram bem, é esse o seu trabalho.

O que me incomoda verdadeiramente é passados tantos dias não ter ouvido um desmentido, uma palavra sequer por parte do Partido Socialista, o que me leva a concluir que, não tendo existido nenhum desmentido, é porque de facto a oposição tem razão e foi de facto encomendado um estudo de opinião e isso é que é tragicamente preocupante. E esta preocupação não se fica por aqui.

Lembram-se dos textos assinados por um tal Sebastião Pereira o “repórter invisível” que quase deitou abaixo o governo português com as crónicas relativas aos incêndios do Pinhal Interior? Muito se especulou (e continua a especular) sobre a verdadeira autoria dos referidos textos, mas há aqui quase que um sentimento premonitório que parece ter passado despercebido. Dizia o tal “agente infiltrado” do jornal espanhol El Mundo que “ a desastrosa gestão da tragédia pode por fim à carreira política do primeiro-ministro António Costa”, lembram-se?

Passadas duas semanas e quase como por acaso, ou talvez não, há quase como que uma concertação de acontecimentos que colocam em causa, agora sim, a credibilidade da gestão de António Costa e do Partido Socialista.

Primeiro foi colocada em causa a Ministra da Administração Interna, logo de seguida surge algo nunca visto, o roubo de armas em Tancos, questionando-se a forma como o gabinete de Azeredo Lopes conduziu o processo e pelo meio temos o Ministro da saúde em rota de colisão com as Ordens dos Enfermeiros e dos Farmacêuticos, para não falar na questão dos juízes e do diferendo que têm com a Ministra da Justiça, a qual acusaram de incompetência. Tudo isto no espaço de uma semana! Se isto não é uma concertação de acontecimentos, não sei o que seja…

E que reSpostas tem dado o Partido Socialista?

Onde estão as vozes que têm como obrigação a defesa dos interesses do País e do Governo? Nada…

Não perceber que a oposição, seja ela qual for, se organizou e fez os trabalhos de casa, apresentando agora os resultados é um erro de puro amadorismo.

Mais do que um eventual descalabro governativo, preocupa-me aquilo que a história dirá destes tempos, preocupa-me que esta oportunidade histórica seja desperdiçada por meia dúzia de meninos do coro a armar ao arrogante com um enorme défice de humildade!

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17
Jun17

Os Ciganos do Porto

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Demorei algum tempo a reagir ao texto / desabafo tornado público pelo eurodeputado Manuel dos Santos.

Faço-o hoje por pudor mas também por coerência para com os princípios que os meus Pais me ensinaram.
Diz o meu amigo Ricardo Gonçalves, que Manuel dos Santos foi infeliz na sua observação. Lamento mas não foi.

O eurodeputado eleito na lista do Partido Socialista e representante do povo português em Bruxelas, não foi infeliz no que disse, ele apenas foi sincero, e não foi a primeira vez. Relembro que durante a campanha das directas que levou António Costa à liderança do PS, Manuel dos Santos disse de Costa o que Maomé não disse do toucinho, mas isso são águas passadas.
O que está em causa é opinião que este representante da nação tem sobre um dos seus concidadãos e isso é algo que deve ser considerado no mais breve espaço de tempo.
Contrariamente ao que pensa Ricardo Gonçalves, eu acho que Manuel dos Santos deve de facto ser censurado e afastado de cargos electivos.

Um partido responsável e que se quer respeitado não pode ter nas suas fileiras, dirigentes que se prestam a este tipo de apreciações xenófobas e caciqueiras, que por despeito ou ignorância possam ser entendidas como uma matriz funcional.
Não serve de desculpa o facto da pessoa em causa ter lutado pela liberdade ou ser um histórico do Partido Socialista. Sotto Mayor Cardia, a seu modo foi igualmente um histórico do PS e um lutador da liberdade e infelizmente a doença afastou-o do nosso convívio.
Exige-se uma resposta rápida e coerente.
A boa "praxis" assim o exige.

 

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07
Jun17

Ex Nihilo Nihil Fit

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A Secretária Geral Adjunta do Partido Socialista assina hoje no JN, um artigo de opinião sobre a condição de “independente”.

Por ter relativamente a esta matéria, uma opinião contrária, remeto para este espaço o meu entendimento sobre a reflexão que a

Dra. Ana Catarina Mendes hoje protagoniza.

 

 

formigas.jpg

 

Ser-se independente não é um estado de espírito.

Muitos daqueles que hoje se reclamam como tal, já militaram em partidos políticos e se o deixaram de ser é porque os mesmos deixaram de ser uma constância na sua participação cívica.

Os partidos não são todos iguais e se alguma dúvida existia, a gestão do actual governo veio demonstrar que há de facto uma diferença profunda entre esquerda e direita. No entanto essa diferença já não se reflete a nível ideológico, há muito que deixamos de ter partidos marxistas, ou trotskistas. Os partidos hoje em dia valem pelas suas lideranças. O PSD de hoje por exemplo não tem praticamente nada a ver com o mesmo PSD neo liberal de Cavaco Silva ou de Francisco Sá Carneiro, no entanto os militantes são os mesmos, o mesmo acontecendo com o Partido Socialista.

Este PS está longe do Partido Socialista de Mário Soares e de António Campos por exemplo ou meso de Jorge Sampaio. O que eu quero dizer com isto é que é a prática política que cada partido imprime na gestão dia a dia que define um maior ou menor alinhamento partidário. De nada serve a determinado partido estar no governo se os seus militantes tiverem uma “Praxis” (eu também sei grego) contrária aos princípios definidos pelo seu líder.

Não se pode erguer a bandeira da solidariedade por um lado e por outro ter dirigentes partidários a praticarem o oposto.

O facto de cidadãos terem optado por se manterem à margem da actividade partidária não faz deles um “deus menor” ou uma espécie de “madalenas arrependidas” e muito menos alvos privilegiados de “desculpas de mau pagador”.

Ser-se independente significa em primeira análise que o individuo se mantém equidistante das lideranças partidárias e que se reserva a dar ou não o seu voto em dia de eleições. Os partidos têm que perceber de uma vez por todas que “vivem para os cidadãos” e não, “apesar dos cidadãos” e isto não é uma questão de se ser mais ou menos democrático, é o que faltava só se poder outorgar a chancela democrática a partir da actividade partidária!

O que não compreendo no discurso da Dra. Ana Catarina Mendes é este seu súbito assumir de culpas e passo a citar

 

“Não posso deixar de reconhecer que algum fundamento para a propagação destas ideias tem sido o próprio funcionamento dos partidos, cuja reforma e abertura tem de ser uma preocupação e um combate constante e nunca acabado por parte dos responsáveis políticos. O fechamento dos partidos sobre si próprios, a natureza de sindicatos de voto de algumas estruturas partidárias e a falta de um verdadeiro pluralismo interno constituem fatores objetivos para o afastamento dos cidadãos, não apenas dos partidos, mas também da própria participação democrática.”

 

Dito isto pergunta-se; mas a Dra. Ana Catarina Mendes enquanto Secretária Geral Adjunta do Partido Socialista não é a responsável por esta reforma? O cargo que ocupa dentro da estrutura do seu partido não deveria ser aquele que deveria coordenar/promover/implementar essa mesma reforma?

Mas o artigo de opinião da secretária geral adjunta do PS tem mais “Vox nihili“ (como se comprova eu também sou um poço de sabedoria).

Atendamos agora a esta breve passagem da sua reflexão:

 

“Há um princípio fundamental que é bom que nunca ninguém esqueça, não há democracia sem partidos. E o primeiro dever dos democratas é a defesa da democracia"

 

Devo dizer em abono da verdade que já ouvi várias vezes este “Vox Populi” (mais uma…) e muito sinceramente não me apetece recordar esses anos longínquos em que se referendaram as tendências totalitárias e as "unicidades" de alguns responsáveis políticos.

Mas numa coisa estamos de acordo; o primeiro dever dos democratas é defender a democracia, aliás deve ser por isso mesmo que muito desses democratas, não militando em partidos políticos, continuam a participar activamente nas assembleias municipais da sua área de residência, dando assim um contributo inequívoco para o pluralismo democrático. São estas pessoas, que enchem os salões municipais mas que também discutem a coisa pública nos mercados ou nos restaurantes há hora de almoço e que apontam o dedo aos partidos e aos seus dirigentes sempre que não defendem esses mesmos valores democráticos.

Estes independentes não hipotecam o seu voto a qualquer preço. São resilientes e pedem esforço, dedicação e…solidariedade em troca de um sim no dia das eleições.

E é desta independência que os partidos têm medo!

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