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Escadas Rolantes

Na minha terra costuma dizer-se: Quando a merda chega à ventoinha, ficam todos cagádos!

Escadas Rolantes

Na minha terra costuma dizer-se: Quando a merda chega à ventoinha, ficam todos cagádos!

07
Abr21

A MORTE NÃO MORRE SOLTEIRA! (deixem-me ouvir os vosso corações)

escadas

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A solidariedade não se apregoa, PRATICA-SE!

Coisa que a maior parte dos políticos desta nova geração não faz a mínima ideia do que isso é.

Ser solidário é olhar para o lado e importar-se com o que se vê e não descansar enquanto essa situação não mudar.

Ser solidário é estender a mão, mesmo que a outra esteja suja.

Bem sei que isto parecem palavras vãs, mas acreditem qua há pessoas assim.

Algumas dessas pessoas optaram por ser políticos. Decidiram que a sua vocação era servir a sociedade e lutar por ela, por aqueles que não têm voz.

Tive a felicidade de conhecer algumas dessas pessoas. Tive a felicidade de partilhar a minha vida com algumas dessas pessoas.

Já o disse várias vezes; aquilo que sou hoje, devo-o muito, a essas pessoas. Foram elas que me ensinaram a olhar para o lado, a partilhar e sobretudo a lutar.

Nunca mais me esqueço da primeira noite que passei no Largo do Rato, foi em 1985. O PS tinha sido derrotado em toda a linha. O desânimo era total. Naquela noite, ninguém se aproximou de nós para uma simples palavra de alento. O Júlio Isidro era o único que se mantinha firme e que se tinha mantido perto de toda a equipa; "cumprimos com o nosso dever, demos o nosso melhor"!

Olhando agora para trás, até parece que as coisas foram todas muito fáceis, simples até.

Mas não foram. Ser-se amigo de todas as horas não é fácil, é quase um desígnio até. Ter o telemóvel disponível para atender uma voz desesperada e em busca de auxilio, é algo que nós sabemos não estar ao alcance de todos.

O nosso sofá é bem mais confortável que as desgraças alheias!

Por exemplo. Uma certa tarde, já nem me lembro do ano, este vosso amigo lembrou-se de abrir o microfone e perante um Coliseu dos Recreios a rebentar pelas costuras, proclamar a frase: "o facto das OGMA terem reparado helicópteros indonésios é um verdadeiro atentado à pátria"! Na altura a coisa resultou muito bem, o Coliseu até parecia que vinha abaixo, o pior foi no dia seguinte quando o Pacheco Pereira, na altura deputado do PSD, se lembrou de tirar fotocopias da primeira página da Capital que trazia a letras gordas a frase que eu tinha proferido na véspera. A Assembleia da Republica entrou em efervescência e o António Guterres que naquela tarde se encontrava no largo do Rato, teve que ir de urgência para o hemiciclo para pedir desculpas em meu nome por aquilo que tinha sido dito!

Naquele final de tarde, vomitei tudo o que tinha e ... não tinha. A bílis veio cá acima mostrar de cor era feita, várias vezes.

Só duas pessoas me mostraram solidariedade naquele dia. Uma foi o Joaquim Raposo, a outra foi Jorge Coelho.

Se me arrependo do que disse naquele domingo? sinceramente não. Se fosse hoje provavelmente teria dito a mesma coisa.

Verdade seja dita que nunca ninguém se lembrou de supervisionar os meus textos antes de os reproduzir ao microfone. 

Já com Sócrates como secretário Geral do PS, entendi que devia colocar à consideração das pessoas que coordenavam o seu gabinete, um texto que acabara de redigir. O Pedro Silva Pereira foi o primeiro (e único) a dar a sua opinião. Não leu e respondeu-me: "era o que faltava!" Depois disso senti-me legitimado para não questionar mais ninguém. 

Mas voltando a Jorge Coelho.

Só quem privou com ele, pode perceber o que significava, conviver com ele.

O Jorge era muito mais que um político, era um amigo, daqueles que a gente tem prazer em convidar lá para casa para comer uma chouriça assada, ou para o batizado do filho!

Por estes dias, muitos se vão lembrar das suas frases emblemáticas, tipo "quem se mete com o PS...leva", mas eu prefiro recordar a sua faceta mais dócil, afável e introspetiva.

Na noite em que o PS ganhou as eleições com António Guterres, fizemos a viagem de carro desde o Altis até à Torre de Belém; eu ele e o Pina Moura. Á nossa espera estava o Nuno Teixeira, que tinha andado na "estrada" com toda a equipa. Foi uma viagem épica, desde o Hotel Altis até Belém, parecia que estávamos todos embriagados, mas eu juro que nenhum de nós bebeu uma pinga de álcool!

lamentavelmente, destes protagonistas todos e que representam muito do meu legado, o único que ainda cá está sou eu.

Tenho muitas e boas memórias do Jorge.

Conhecem algum ministro que estaria disposto a assumir uma culpa que não era sua e com isso anunciar a sua demissão enquanto ministro de estado? 

É por estas e por outras que eu digo aos meus filhos:

"sejam o que quiserem ser. Lutem por isso, e quando se olharem ao espelho sejam um Jorge Coelho"

Para mim foi um privilégio ter partilhado parte da minha vida com o Jorge e sei que comigo estão muitos outros amigos que tiveram essa felicidade.

Obrigado Jorge!

08
Jan21

OS DIAS DO CAPITÓLIO

escadas

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Miguel Sousa Tavares disse hoje na TVI que André Ventura não tem substrato político e que o seu discurso só serve para as redes sociais e conversas de café.

Tenho por Miguel Sousa Tavares com quem trabalhei e aprendi muito, uma profunda admiração, mas este seu comentário é a justificação para a popularidade do líder do Chega.
A única razão que suporta a existência de políticos como André ventura é precisamente a leviandade com que se analisam estes fenómenos.
E digo mais.
Os verdadeiros culpados pela existência do Chega são os partidos políticos que se encontram na esfera do poder. E neste circulo incluo António Costa enquanto líder do PS, os dirigentes nacionais do maior partido do poder, Rui Rio enquanto aprendiz de opositor ao governo, o próprio presidente da Assembleia da República e a restante esquerda parlamentar. Excluo deste grupo o PAN por entender que este partido/movimento que padece de uma crise de identidade, se encontra ainda no limbo direita/centro direita.
Sejamos claros.
O chega só existe porque foi ocupar um espaço deixado vago pelo PRÓPRIO Partido Socialista. Aliás um dos grandes problemas da nova classe política, é entender que sabe tudo, tem razão em tudo, tem certezas sobre tudo e não tem a humildade suficiente para reconhecer que tem deficiências estruturais e ideológicas. Acham-se os donos da democracia e que esta nunca estará em causa porque...eles existem!
Abominam as redes sociais e são incapazes de reconhecer a extraordinária importância e influência que elas exercem na nossa sociedade. Enquanto meio que carece de mediação, as redes sociais são o pântano ideal para a proliferação de ideias mais ou menos humanitários. É neste mesmo pântano que se movem precisamente algumas mentes com ideias pouco recomendáveis e que assim dão voz a todos aqueles que se viram excluídos por esses dirigentes políticos e que se acham os únicos iluminados desta jovem democracia.
É a mesma classe política que não percebe a razão pela qual cada vez há menos portugueses a exercerem o seu direito de voto, mas apesar disso continuam a olhar para o além e a meditarem sobre esta questão, como se ela fosse por si só transcendente à sua conduta.
Os debates com André ventura mostraram a ingenuidade desta classe política. Não moram cá, nunca moraram cá e não fazem ideia do que os portugueses realmente ambicionam.
Por exemplo, as várias tentativas de André Ventura para arrastar Paulo Pedroso para a lama da sua própria conduta, só podiam ter uma resposta por parte de Ana Gomes; deixá-lo a falar sozinho. Responder-lhe, é apenas continuar a dar-lhe o oxigénio que precisa para continuar à tona de água.
O respeito é algo que se exige nestas circunstâncias e os resultados destas próximas eleições vão mostrar precisamente isso.
À esposa de César não basta ser honesta, tem que parecer ser honesta!
Disse.
21
Dez20

Os Operários do Natal

escadas

"O dinheiro pouco importa, o que importa é a verdade e a prenda mais valiosa é a prenda da amizade.   Quem faz das tristezas forças e das forças alegrias constrói à força de amor um Natal todos os dias." 

Ary dos Santos

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Tenho muitas e boas recordações do Natal. Desde os presépios que "inventava" no Alentejo, até às representações que levava a cabo com minha prima Edite nas noites de consoada, com a família em volta da lareira recolhida do frio que se fazia sentir na Maceira,  a pequena aldeia da minha avó, Na verdade estávamos todos dentro da lareira porque aquilo era enorme!

A construção do presépio constituiu sempre um dos pontos altos do meu Natal. Nunca foram pequenos e houve um ano que construi um anexo ao lado da sala para poder comportar um projeto que se fosse hoje podia competir com o presépio das Amoreiras por exemplo.

Quando o meu filho mais velho nasceu, o presépio transformou-se num dos pontos altos do ano. Era uma festa!

a irmã Leonor segue-lhe as pisadas.

Os presépios já me fizeram percorrer os quatros cantos de Portugal. Conheci e bem o presépio Cavalinho que (infelizmente já ardeu), o de Monsaraz, Vila Real de santo António, Penela, Almeida, Estremoz e tantos, tantos outros.

Lembro-me de muita coisa. Lembro-me por exemplo da minha avó a fazer filhoses sem fim, mexendo a massa num enorme alguidar de barro que pesava toneladas. Lembro-me de pendurar a meia na chaminé de colocar o sapatinho por baixo.

lembro-me do meu chegar a casa com um pinheiro enorme, daqueles verdadeiros que cheiram a resina e tudo e de passar as noites a desenhar a a recortar estrelas douradas que iriam encher toda a copa.

Naqueles tempos não havia Pai Natal. Celebrava-se o menino Jesus!

Havia a festa do trabalho dos Pais, que contemplava sempre um presente condigno.

E havia o Circo e as canções!

Mais tarde e já quase adulto, conheci um grupo de amigos que se intitulavam "Os operários do Natal". foi no Natal de 1976. Nunca fiz parte daquela trupe apenas no encontrávamos por feliz coincidência. Foi aí que conheci pela primeira vez a Ana Bola, ou melhor será dizer a palhaça Bolona. Não sei se nessa altura já cozia os ovos em água das pedras, mas lembro-me que o espetáculo era apresentado pelo Júlio Isidro, mas sei que que quando os vi pela primeira vez, pensei para mim mesmo "mas onde é que este tipos andaram metidos toda a minha vida????" Nunca lhes disse nada, mas eu, que era um interveniente direto do espetáculo (e era pago para isso) era de certeza o espetador mais atento. Ainda hoje sei aquilo tudo de cor.

O Natal era também sinónimo de bacalhau, coisa que eu não apreciava muito e de couves, daquelas verdes e que sabiam mesmo a couve!

Lembro-me de ir à Baixa com os meus Pais, ver a  montra do Grandela, que na altura tinha a decoração mais espetacular e do cheiro a algodão doce que enchia o largo do Rossio (alguém se lembra desses cheiros?) .

Hoje já não se pode, mas antigamente, ainda o mês de Novembro não tinha acabado e já eu tinha ido a Sintra apanhar enormes Lençóis de musgo,  daqueles que cobriam os penhascos da Serra mágica. Quando o Natal era passado na Maceira, a tarefa era facilitada. O difícil era transportar aquele manto todo e dar-lhe uso!

Apesar do Natal deste ano ser diferente, espero que em breve possamos todos retomar os velhos hábitos e olhar para os símbolos e reconhecer o seu verdadeiro significado.

O Natal ou o nascimento da pequena luz que deveria existir dentro de todos nós, está por estes dias condicionado pela exigência consumista que ofusca o seu verdeiro significado.

Este ano pedem-nos para usar máscara, como se isso fosse uma coisa estranha. A maior das pessoas com que nos cruzamos diariamente esconde-se atrás de uma máscara, de hipocrisia, de cinismo, de indiferença.

Mesmo que no próximo ano nos digam que podemos finalmente respirar para cima uns dos outros e tocarmo-nos, estou certo que infelizmente, muitos irão optar por continuar escondidos atrás de uma máscara que esconde aquilo que de facto são, ou não são.

Não sou ingénuo ao ponto de acreditar que vai mudar alguma coisa, mas não me cansarei de lutar para que as coisas não fiquem na mesma.

Mudem!

Um Santo e feliz Natal para todos.  

 

 

29
Jul20

Somos cada vez menos

escadas

 

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Ás vezes tenho inveja daquelas pessoas que se estão nas tintas para o que se passa à sua volta. 

Não consigo fica indiferente com o sofrimento dos outros. 

Não consigo pura e simplesmente esquecer ir "beber um drink".

Não sei como vocês reagem aos sobressaltos da vida, mas para mim é como se um desaparecesse um bocado de mim.

Sabem aquelas pessoas que atendem o telefone quando a gente liga????? Pois...são cada vez menos e isso preocupa-me, deixa-me inseguro, triste.

Sei que a vida é uma coisa curta e a morte é inevitável, mas a ideia de ter cada vez menos gente amiga a quem se possa pedir ajuda, deixa-me um vazio que dificilmente é preenchido.

Para mim o conceito de família sempre foi muito lato. Família são aqueles que comigo partilham e partilharam a minha vida, os meus problemas as minhas angustias. Família são aqueles que atendem o telefone e não negam um pedido de ajuda! 

Os outros são apenas conhecidos, gente que por esta ou por aquela razão se cruza no nosso caminho.

Posso dizer que ao longo da minha vida tive o privilégio de conquistar muitos familiares, alguns nunca se aperceberam disso, mas foram fundamentais para o meu crescimento e para me afirmar como Homem.

Tento ser uma pessoa justa e recta, solidária e fraterna e partilho os meus valores com todos aqueles que me rodeiam.

A vida é mesmo isto; viver em comunhão e partilha.

Quando o Zé Abreu partiu há uns anos, achei que o Universo era injusto. A partida do Jaime Fernandes deixou-me órfão e a pouco e pouco comecei a perceber, que de facto somos apenas uma cambada de ignorantes e que ao longo da vida tentamos apenas decifrar o que afinal não tem tradução possível.  

A morte não é injusta, nós é que tornamos a nossa existência numa amalgama de relações egoístas!

Cada vez que deixarmos de olhar para o lado e fixarmos a nossa existência apenas no nosso umbigo, estamos a contribuir para que a morte de alguém seja dolorosa e sem significado.

Quantas vez ao longo dia é que paramos para pensar????

O texto vai longo e calculo que pouca gente o vá ler na íntegra, mas eu precisava de fazer este desabafo.

Mas se por acaso chegaram até aqui...reflictam, parem para pensar e olhem para o lado.

somos cada vez menos...

19
Nov19

A MORTE NUNCA EXISTIU

escadas

Tal como a maioria dos meus amigos da altura, com excepção talvez daqueles cujos pais tinham actividade política, nenhum de nós tinha uma cultura musical digna desse nome. Em Abril de 1974 o meu universo musical resumia-se aos Genesis, Mike Oldfield, Black Sabath e Pink Floyd. Quanto a música portuguesa…NADA!

Uma semana após a revolução, um casal que vivia mesmo ao lado dos meus pais convidou-me para ir lá a casa ouvir umas músicas novas. Foram eles que me mostraram pela primeira vez o álbum “Margem de Certa Maneira” do José Mário Branco. Não será exagero dizer que nos dias seguintes devo ter ido lá a casa ouvir o disco mais de 20 vezes. Até ter gravado uma cassete com o dito disco, era esta a minha rotina diária: chegar do liceu, arrumar a mala e ir par casa deles ouvir José Mário Branco. Havia qualquer coisa naquela dialética que me inspirava, talvez fosse a musicalidade a imprevisibilidade das melodias…

Foi com José Mário Branco que aprendi termos como “Luta de classes” “justiça e igualdade” e “serventio a trabalhar” e por isso também eu lutei para meter um pauzinho na engrenagem por que queria ter companheiros de viagem.

Depois da “Margem de Certa Maneira” veio o “Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades” (apesar de ser anterior) e com ele todo um novo mundo, que incluía o Sérgio Godinho, Zeca Afonso, o Adriano Correia de Oliveira e o António Carlos Jobim. Foram dias, semanas, meses, em que amadureci muito. Apaixonei-me por aquelas letras por aquela poética amarga e notoriamente escrita por pessoas que tinham sofrido, coisa que eu também não fazia ideia o que era: sofrimento!

A música de José Mário Branco acompanhou toda a minha vida. As cassetes com a discografia dos Genesis passou a ter sempre como companhia estes dois álbuns, cresci com eles. Naqueles meses de 1974 estava longe de pensar que um dia mais tarde viria a conhecer e a trabalhar com ele(s). De facto em 1990 fui convidado pelo próprio a criar o logotipo da UPAV “União Portuguesa de Artistas de Variedades” que tinha à frente além do Zé Mário, o Carlos do Carmo. Na altura produzi uma caixa de discos, tipo colectânea da qual faziam parte a Dina a Maria Guinot o Jorge Lomba, a Alexandra e obviamente o Zé Mário e a Manuela de Freitas.

A UPAV era uma espécie de agência de artistas que visava promover a carreira artística dos seus associados. Carlos do Carmo e o Zé Mário Branco depositavam muita fé neste projecto e posso afirmar que me tirou muitas horas de sono; era o meu ídolo que ali estava, a minha bandeira, apesar disso nunca lhe confessei a profunda admiração que sentia por ele.

Faz parte da minha lista de coisas a fazer antes de me reformar, realizar um programa de rádio onde possa passar o seu “FMI”, se não sabem do que estou a falar, procurem no youtube e deliciem-se com uma das obras primas da música portuguesa! A obra de José Mário Branco era como um filme, imprevisível, belo, apaixonante e esta paixão cativa quem o ouve. Ainda hoje quando preciso de me animar coloco o som bem alto e ouço “A Cantiga é Uma Arma” do “GAC”, aliás este tema motivou a autoria (em colaboração com o Viriato Telles) a produção (e a apresentação já agora) de um programa gravado ao vivo no Largo do Carmo em Lisboa, que a RTP emitiu em 1997 e que assinalou as comemorações da Revolução de Abril de 1974.

Este é o melhor elogio que posso fazer nesta altura à memória e à obra de José Mário Branco: quando a minha filha nasceu, elaborei uma play list de músicas para a acompanhar à noite e a ajudar a adormecer. Uma dessas músicas era a “Ronda do Soldadinho”.

 

27
Ago19

The Repair Shop

escadas

O período de férias é para mim uma oportunidade para conhecer novas coisas, novas cores, sabores e culturas.

Uma das formas que privilegio para ir ao encontro deste desiderato, é…ver televisão!

Normalmente quando estou no estrangeiro, aproveito os fins de tarde para passar em revista as centenas de canais que os hotéis normalmente disponibilizam.

Este ano foi exceção e como estou praticamente divorciado da televisão portuguesa, sempre dá para ficar a saber o que se passa “lá fora”. Regra geral acabo sempre por descobrir algumas “pérolas” e desta vez fui surpreendido pela BBC.

O programa chama-se “The Repair Shop” e é atualmente uma das séries mais populares do Reino Unido.

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O que é que este programa tem de tão especial? TUDO!

A começar na simplicidade do tema; uma equipa de artesões. Propõe-se a dar uma nova vida a objetos que o tempo se encarregou de retirar de circulação.

Os programas são gravados no cenário único de Weald and Downland Living Museum, um vilarejo situado a sul de Londres (West Sussex) que mais parece ter saído de um conto de fadas.  

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A história é sempre a mesma; alguém tem em casa um objeto muito deteriorado, estragado, sem funcionar. Dirige-se à “Repair Shop” onde é recebido por um dos 18 especialistas. Cerâmica, fotografia, peles (cabedal), marcenaria, instrumentos musicais, brinquedos antigos, quadros, seja o que for, esta gente agradece, ouve a história de vida que está relacionada como objeto que é apresentado e depois dedica-se com corpo e sobretudo alma, ao restauro da peça. No final, entre lágrimas de emoção e agradecimentos a toda a equipa, o objeto volta para a posse do seu legitimo dono.

Ao longo dos vários episódios que assisti (existem 3 séries e eu já vi pelo menos duas) a “Repair Shop” foi visitada por gente de várias camadas sociais mas sobretudo com idades já muito avançadas. É comum aparecerem senhoras com idade acima dos 90 anos!

As peças que entregam ao cuidado dos restauradores, são  as suas memórias, pedaços de uma outra vida e normalmente são acompanhadas de fotografias originais nas quais aparecem avós ou bisavós, histórias que comovem até o coração mais empedernido.

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Questiono-me que raio de país é este que conseguiu conservar tantas memórias. Pergunto a mim mesmo, se alguém se lembrasse de fazer uma coisa destas em Portugal, se por acaso apareceria alguém com objetos desta importância. Será que nós estamos a tratar bem a nossa história?

Duvido.

O audiovisual está a viver um período complicado. As operadoras de televisão optaram por balizar por baixo os critérios editoriais e atualmente tudo se resume a uma disputa “estéril” entre uma apresentadora de nome Cristina e o resto do Mundo. Enquanto isso, os canais de streaming (Netflix e companhia) continuam a aumentar a quota de mercado em detrimento dos canais tradicionais.

Ninguém parece importar-se com isso…

Curiosamente o “Repair Shop” é o oposto desta triste realidade portuguesa.

Uma iluminação superior, aliada a um décor único e uns protagonistas que mais parecem verdadeiros atores, transformaram este modelo, num sucesso de televisão e que tem disso partilhado entre a BBC 2 e a BBC 1.

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Afinal fazer televisão não é assim tão complicado, basta ser sincero e simples.

21
Mai19

A Insustentável Leveza do Macaco

escadas

Já houve alturas em que eu pagava para ter um debate político com Paulo Rangel.

Rangel é daquelas personalidades que desperta em mim o que tenho de pior. Com o tempo comecei a achar que a haver esse debate, ele poderia acabar comigo a fazer uma imitação barata de Sérgio Conceição em dia de clássico com o Sporting e isso em nada dignificaria a política portuguesa, a qual já está suficientemente conspurcada com as frases e atoardas de Rangel.

Quando olho para Paulo Rangel fico sempre na dúvida sobre a pessoa que contemplo; umas vezes faz-me lembrar a minha infância e os momentos mágicos que vivia na praia da Nazaré quando a nossa manhã era surpreendida com a presença dos fantoches “Robertos”. Rangel tem algo de “Roberto”, se bem que desconheço a existência de alguém que lhe enfie a mão por baixo para o manobrar, não creio…

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Outras vezes, este candidato do PSD faz-me lembrar a minha tia Ermelinda. A Tia Linda, como os mais novos muito jocosamente gostavam de lhe chamar, era um portento da natureza e apesar dos seus 134 kg não permitirem subir escadas ao mesmo ritmo que nós, isso não a impedia de vestir um pequeno biquíni e passear alegremente ao longo da Costa durante as manhãs de Agosto. Rangel é um pouco disto também, tem matéria a mais para tanto corpo.

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Discutir com Paulo Rangel é como ir a um Parque de Diversões pela primeira vez, nunca se sabe o que encontrar e que tamanho terão as filas para cada diversão.

Há uma áurea de mistério que envolve Paulo Rangel e não tem a ver com o facto de ser o escolhido para cabeça de lista, como se naquele partido não existisse ninguém melhor que ele. Essa imprevisibilidade prende-se com o facto de nunca se saber como irão acabar os debates; que tipo de pedra polmes arremessará ele desta vez…

Há no entanto uma coisa a qual podemos contar. Quando as coisas começarem a correr para o torto, Paulo Rangel irá a correr fazer queixinhas à professora vociferando debaixo das suas saias: Pssôra pssôra, aquele menino tirou-me os meus macacos do nariz!!!

 

 

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