Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Escadas Rolantes

Na minha terra costuma dizer-se: Quando a merda chega à ventoinha, ficam todos cagádos!

Escadas Rolantes

Na minha terra costuma dizer-se: Quando a merda chega à ventoinha, ficam todos cagádos!

14
Dez18

enfermeiros e enfermagem (com letra pequena)

escadas

6F1866D0-2D9A-49A0-8B24-FA0D527776A1.jpeg

Antes que me chamem nomes (e vão chamar), devo esclarecer que sou parte interessada neste diferendo que opõe os enfermeiros ao governo.
Tenho pelos enfermeiros uma admiração profunda. Sou filho de uma enfermeira e estou casado com uma, conheço pessoalmente muitos dos dirigentes sindicais desta classe profissional e como se não chegasse, trabalhei na Ordem que em principio os deveria unir.
Dito isto e como me tenho mantido neutral nesta greve que já dura há 3 semanas, entendi que enquanto cidadão e utilizador do SNS, deveria tornar pública a minha opinião.

Estarei sempre na linha da frente nas batalhas que impliquem a defesa das liberdades democráticas e dos direitos constitucionais que as vinculam, mas há formas de “luta” inadmissíveis e entre elas estão as que “sacrificam” única e exclusivamente aqueles que supostamente deveriam ser a prioridade desses mesmo profissionais. Os enfermeiros poderão ter toda a razão nos seus protestos, a forma como os concretizam é no entanto INTOLERAVEL num estado de direito!
Os enfermeiros estiveram sempre na linha da frente no que toca ao apoio dos mais necessitados (todos nós ao fim e ao cabo). Em situações de desespero e de maior fragilidade, é com os enfermeiros que podemos contar. No frio solitário de uma enfermaria, no meio de uma noite de angústia, podemos sempre contar com uma mão amiga que ali está para nos ajudar.
Os enfermeiros foram sempre o nosso garante…pelo menos era isto que eu achava.
No dia em que esta ligação se quebrar, termina a relação de confiança e a razão de ser desta classe profissional, passa a ser a mesma que a do senhor do talho ou do dono da pastelaria; estão ali apenas para fazer dinheiro e os pães têm que se vender, quer eles estejam duros ou não.
O caminho que os enfermeiros estão a percorrer é perigoso e poderá colocar em causa muitos e muitos anos de uma luta pelo reconhecimento de uma classe profissional que muito injustamente foi ostracizada durante muitos anos.
Eu sei que todas as classes profissionais têm direito a ter um Jaime Marta Soares, mas os enfermeiros deveriam ser uma excepção, SEMPRE FORAM!

02
Set18

O Sonho que Alimenta a Vida

escadas

ilhas.jpg

 

De vez em quando (de 10 em 10 anos) gosto de ir ao cinema para ver um filme que me faça sonhar com uma pequena ilha algures na bacia Mediterrânica, na costa da Grécia.

Gosto de imaginar que vivo nessa ilha. Sou dono de um pequeno restaurante que fica situado num dos socalcos da encosta virada a sul, com vista para o azul índigo do mar Egeu. A alma do restaurante é a sua esplanada, com cadeiras únicas sarapintadas de um azul luzidio como se chamassem as águas cálidas que banham lá em baixo a costa da ilha fazendo lembrar os “páteos” sicilianos cheios de luz e emoção.

É aí que eu passo os meus dias. Descalço 24 horas por dia, e fazendo saborosos petiscos que os habitantes locais me ensinaram e que eu temperei com a tradição alentejana.

Todos os dias ao fim da tarde, o restaurante faz uma pausa para que toda a gente possa, as guitarras portuguesas que servem de banda sonora a este “retiro” silenciam-se para que todos possam contemplar o pôr-do-sol em sinal de respeito por mais um dia que pudemos usufruir neste paraíso e com a esperança que o sol que agora se vai pronuncie o nascimento de um novo dia.

As noites são mais calmas e variam entre a vibrante luz dos archotes que iluminam as mesas e as ameijoas regadas com vinho verde sempre fresco e as espetadas de lulas e chocos grelhados acompanhados de pão torrado com azeite e orégãos.

Quando me deito todas as noites dou graças por poder viver assim sabendo que na manhã seguinte terei à porta de casa uma saca de pão quente acabado de cozer, para o meu pequeno-almoço que um dos meus vizinhos continua a fazer religiosamente todos os dias.

“Once in a while” vou ao cinema (de 10 em anos) para alimentar este sonho.

Fui ver o “Mamma Mia” e lembrei-me que este era também um “guilty pleasure” do Jaime Fernandes. Os Abba era uma das coisas que nos relacionava, tal como a vontade de sonhar com “coisas”…

É isso que nos faz andar para a frente.

Bom fim-de-semana.

santorini-shutterstock-3.jpg

 

07
Jul18

A luta contra o preconceito

escadas

As boas histórias são para serem partilhadas.

Decorria o ano de 1982. O jovem Fernando Neves tinha começado a trabalhar (a sério) há pouco mais de um mês na Arnaldo Trindade a “casa” de muitos dos nomes mais prestigiados da música nacional.

Aquela manhã ria ser diferente. Desde logo porque iria ser passada nos estúdios da rua de Campolide, ali nasceram muitas das canções que hoje trauteamos.

Já não me lembro se foi o Moreno Pinto ou o jovem Barata que estava de serviço, mas lembro-me da cara de todos quando o “artista” entrou pela pesada porta do estúdio 1 para gravar o seu grande êxito desse verão. O protagonista estava afónico!

Pior, a gravação não podia ser adiada pois esperava-o uma digressão pela Alemanha.

Solução…Injeção de “Ricomel” muito em voga na altura e que mais não era que uma mistura explosiva de “Comel” com “Ricolon”.

Menos de uma hora mais tarde, o jovem cantor ainda com 39 de febre, mas com a garganta visivelmente menos inflamada, dispõe-se a registar para a posteridade os primeiros acordes das duas canções que fariam parte do 45 rotações e que o jovem Neves em breve iria levar para as estações de rádio e convencer os locutores a passa-la até à exaustão!

A canção principal não era original. Era uma versão de um tema alemão da dupla Cordalis/Frankfurter sendo a versão portuguesa de Carlos Pontes.

O tema de que falo chama-se “Amor de Verão” e naquele ano de 1997, não havia ninguém que não a cantarolasse.

O cantor chamava-se José Malhoa e era um ”velho” conhecido do jovem Neves em virtude de terem partilhado os palcos alguns anos antes (sim eu já tive outra vida).

José Malhoa gravou nessa manhã o seu maior êxito até então! E como o dia não se fazia esperar, logo a seguir ao almoço, meteu-se na sua carrinha (atulhada com o sistema de amplificação) e fez-se à estrada até à Alemanha. Antes porem deu boleia a este vosso escriba, até aos escritórios da Arnaldo Trindade na Columbano Bordalo Pinheiro.

Quando entrei no carro (ou carrinha) dei por mim a vasculhar as cassetes de música que estavam espalhadas pelo “tablier” e que iriam fazer companhia ao Malhoa durante muitas horas. Antes que me pudesse concentrar e fazer uma lista mental do que por ali havia, o Zé liga o auto-rádio e levanta bem alto o som para que eu pudesse apreciar devidamente o que aquelas colunas “Blaupunkt” reproduziam (e agora é que vem a boa parte da história) e sabem o quem é que estava a cantar naquela cassete?

Aceitam-se palpites……………………………………………………………………………………………………………………

Nem mais nem menos do que George Benson! Mais propriamente o “The George Benson Collection”

Pois é… o grande José Malhoa, ouvia George Benson durante as suas viagens.

Desde esse dia fiquei com uma ideia diferente do Malhoa, nunca me esqueci desta história e fez-me recordar para a vida que o preconceito pode destruir uma boa relação.

Partilhei muitos e bons momentos com o Zé e a sua pequenita Ana (sim, andei ao colo com ela, coisa impossível de acontecer atualmente) e tal como ele,  também não esqueço a Rosa.

José Malhoa esteve hoje no “Alta definição” da SIC e esta foi a melhor forma que encontrei de homenagear um grande homem, um ser humano extraordinário.

 

malhoa.jpg

 

 

04
Mai18

A caixa de Pandora

escadas

cartaz rosa.jpg

 

Ponderei muito se devia escrever alguma coisa sobre o dia de hoje...

Ponderando os prós e os contras, achei que todos nós e principalmente os dirigentes partidários devemos meditar sobre o que leva uma pessoa, um militante de um partido político a abandonar a militância desse mesmo partido?

Se os partidos políticos são o cerne da democracia, os militantes são os arquétipos dessas organizações.

Sem militantes,os partidos não passam de obsoletos salões de chá onde senhoras que já viveram dias melhores, consomem as horas em busca de um tempo que já não volta.

Um partido sem memória, é um partido sem história.

Um partido sem passado, é um partido com o futuro condenado!

Não falo por mim. Como alguns saberão, abandonei a militância partidária há mais de 3 anos, mas no dia de hoje revejo-me nas angustias e nas frustrações de todos aqueles que deram a sua vida por um ideal comum e que de repente compreenderam que estavam sós na berma da estrada e que por ali não vai passar mais nenhum autocarro.

É costume dizer-se que não existem militantes de primeira ou de segunda, mas toda a gente sabe que isso não é verdade. José Sócrates era um desses.

Ao longo do dia de hoje foram muitas a personalidades que demonstraram publicamente a sua solidariedade para com o antigo Secretário Geral do PS. 

Sócrates não precisa da minha solidariedade nem eu preciso de a demonstrar, mas há coisa que têm que ser ditas por mais difíceis que possam parecer.

É como diria Antero:

"Chegar onde eu cheguei, subir à altura
Onde agora me encontro - é ter chegado
Aos extremos da Paz e da Ventura!​"

04
Jul17

OS MENINOS DO CORO

escadas

Na passada quinta-feira, as redes sociais foram inundadas com a notícia de que o governo (leia-se – Partido Socialista) tinha encomendado um “focus group” (leia-se sondagem), na sequência dos trágicos acontecimentos de Pedrogão Grande/Figueiró dos Vinhos, com o intuito de apurar se a popularidade do executivo tinha sido atingida/beliscada pelos infelizes desenlaces.

Muito sinceramente, o que me incomoda não é o facto de toda a direita em peso ter dado eco a esta “pseudo noticia”, fizeram bem, é esse o seu trabalho.

O que me incomoda verdadeiramente é passados tantos dias não ter ouvido um desmentido, uma palavra sequer por parte do Partido Socialista, o que me leva a concluir que, não tendo existido nenhum desmentido, é porque de facto a oposição tem razão e foi de facto encomendado um estudo de opinião e isso é que é tragicamente preocupante. E esta preocupação não se fica por aqui.

Lembram-se dos textos assinados por um tal Sebastião Pereira o “repórter invisível” que quase deitou abaixo o governo português com as crónicas relativas aos incêndios do Pinhal Interior? Muito se especulou (e continua a especular) sobre a verdadeira autoria dos referidos textos, mas há aqui quase que um sentimento premonitório que parece ter passado despercebido. Dizia o tal “agente infiltrado” do jornal espanhol El Mundo que “ a desastrosa gestão da tragédia pode por fim à carreira política do primeiro-ministro António Costa”, lembram-se?

Passadas duas semanas e quase como por acaso, ou talvez não, há quase como que uma concertação de acontecimentos que colocam em causa, agora sim, a credibilidade da gestão de António Costa e do Partido Socialista.

Primeiro foi colocada em causa a Ministra da Administração Interna, logo de seguida surge algo nunca visto, o roubo de armas em Tancos, questionando-se a forma como o gabinete de Azeredo Lopes conduziu o processo e pelo meio temos o Ministro da saúde em rota de colisão com as Ordens dos Enfermeiros e dos Farmacêuticos, para não falar na questão dos juízes e do diferendo que têm com a Ministra da Justiça, a qual acusaram de incompetência. Tudo isto no espaço de uma semana! Se isto não é uma concertação de acontecimentos, não sei o que seja…

E que reSpostas tem dado o Partido Socialista?

Onde estão as vozes que têm como obrigação a defesa dos interesses do País e do Governo? Nada…

Não perceber que a oposição, seja ela qual for, se organizou e fez os trabalhos de casa, apresentando agora os resultados é um erro de puro amadorismo.

Mais do que um eventual descalabro governativo, preocupa-me aquilo que a história dirá destes tempos, preocupa-me que esta oportunidade histórica seja desperdiçada por meia dúzia de meninos do coro a armar ao arrogante com um enorme défice de humildade!

coro.jpg

 

17
Jun17

Os Ciganos do Porto

escadas

manuel dos santos.jpg

 

Demorei algum tempo a reagir ao texto / desabafo tornado público pelo eurodeputado Manuel dos Santos.

Faço-o hoje por pudor mas também por coerência para com os princípios que os meus Pais me ensinaram.
Diz o meu amigo Ricardo Gonçalves, que Manuel dos Santos foi infeliz na sua observação. Lamento mas não foi.

O eurodeputado eleito na lista do Partido Socialista e representante do povo português em Bruxelas, não foi infeliz no que disse, ele apenas foi sincero, e não foi a primeira vez. Relembro que durante a campanha das directas que levou António Costa à liderança do PS, Manuel dos Santos disse de Costa o que Maomé não disse do toucinho, mas isso são águas passadas.
O que está em causa é opinião que este representante da nação tem sobre um dos seus concidadãos e isso é algo que deve ser considerado no mais breve espaço de tempo.
Contrariamente ao que pensa Ricardo Gonçalves, eu acho que Manuel dos Santos deve de facto ser censurado e afastado de cargos electivos.

Um partido responsável e que se quer respeitado não pode ter nas suas fileiras, dirigentes que se prestam a este tipo de apreciações xenófobas e caciqueiras, que por despeito ou ignorância possam ser entendidas como uma matriz funcional.
Não serve de desculpa o facto da pessoa em causa ter lutado pela liberdade ou ser um histórico do Partido Socialista. Sotto Mayor Cardia, a seu modo foi igualmente um histórico do PS e um lutador da liberdade e infelizmente a doença afastou-o do nosso convívio.
Exige-se uma resposta rápida e coerente.
A boa "praxis" assim o exige.

 

ciganos-romenos-01jul12-580x360.jpg

 

07
Jun17

Ex Nihilo Nihil Fit

escadas

A Secretária Geral Adjunta do Partido Socialista assina hoje no JN, um artigo de opinião sobre a condição de “independente”.

Por ter relativamente a esta matéria, uma opinião contrária, remeto para este espaço o meu entendimento sobre a reflexão que a

Dra. Ana Catarina Mendes hoje protagoniza.

 

 

formigas.jpg

 

Ser-se independente não é um estado de espírito.

Muitos daqueles que hoje se reclamam como tal, já militaram em partidos políticos e se o deixaram de ser é porque os mesmos deixaram de ser uma constância na sua participação cívica.

Os partidos não são todos iguais e se alguma dúvida existia, a gestão do actual governo veio demonstrar que há de facto uma diferença profunda entre esquerda e direita. No entanto essa diferença já não se reflete a nível ideológico, há muito que deixamos de ter partidos marxistas, ou trotskistas. Os partidos hoje em dia valem pelas suas lideranças. O PSD de hoje por exemplo não tem praticamente nada a ver com o mesmo PSD neo liberal de Cavaco Silva ou de Francisco Sá Carneiro, no entanto os militantes são os mesmos, o mesmo acontecendo com o Partido Socialista.

Este PS está longe do Partido Socialista de Mário Soares e de António Campos por exemplo ou meso de Jorge Sampaio. O que eu quero dizer com isto é que é a prática política que cada partido imprime na gestão dia a dia que define um maior ou menor alinhamento partidário. De nada serve a determinado partido estar no governo se os seus militantes tiverem uma “Praxis” (eu também sei grego) contrária aos princípios definidos pelo seu líder.

Não se pode erguer a bandeira da solidariedade por um lado e por outro ter dirigentes partidários a praticarem o oposto.

O facto de cidadãos terem optado por se manterem à margem da actividade partidária não faz deles um “deus menor” ou uma espécie de “madalenas arrependidas” e muito menos alvos privilegiados de “desculpas de mau pagador”.

Ser-se independente significa em primeira análise que o individuo se mantém equidistante das lideranças partidárias e que se reserva a dar ou não o seu voto em dia de eleições. Os partidos têm que perceber de uma vez por todas que “vivem para os cidadãos” e não, “apesar dos cidadãos” e isto não é uma questão de se ser mais ou menos democrático, é o que faltava só se poder outorgar a chancela democrática a partir da actividade partidária!

O que não compreendo no discurso da Dra. Ana Catarina Mendes é este seu súbito assumir de culpas e passo a citar

 

“Não posso deixar de reconhecer que algum fundamento para a propagação destas ideias tem sido o próprio funcionamento dos partidos, cuja reforma e abertura tem de ser uma preocupação e um combate constante e nunca acabado por parte dos responsáveis políticos. O fechamento dos partidos sobre si próprios, a natureza de sindicatos de voto de algumas estruturas partidárias e a falta de um verdadeiro pluralismo interno constituem fatores objetivos para o afastamento dos cidadãos, não apenas dos partidos, mas também da própria participação democrática.”

 

Dito isto pergunta-se; mas a Dra. Ana Catarina Mendes enquanto Secretária Geral Adjunta do Partido Socialista não é a responsável por esta reforma? O cargo que ocupa dentro da estrutura do seu partido não deveria ser aquele que deveria coordenar/promover/implementar essa mesma reforma?

Mas o artigo de opinião da secretária geral adjunta do PS tem mais “Vox nihili“ (como se comprova eu também sou um poço de sabedoria).

Atendamos agora a esta breve passagem da sua reflexão:

 

“Há um princípio fundamental que é bom que nunca ninguém esqueça, não há democracia sem partidos. E o primeiro dever dos democratas é a defesa da democracia"

 

Devo dizer em abono da verdade que já ouvi várias vezes este “Vox Populi” (mais uma…) e muito sinceramente não me apetece recordar esses anos longínquos em que se referendaram as tendências totalitárias e as "unicidades" de alguns responsáveis políticos.

Mas numa coisa estamos de acordo; o primeiro dever dos democratas é defender a democracia, aliás deve ser por isso mesmo que muito desses democratas, não militando em partidos políticos, continuam a participar activamente nas assembleias municipais da sua área de residência, dando assim um contributo inequívoco para o pluralismo democrático. São estas pessoas, que enchem os salões municipais mas que também discutem a coisa pública nos mercados ou nos restaurantes há hora de almoço e que apontam o dedo aos partidos e aos seus dirigentes sempre que não defendem esses mesmos valores democráticos.

Estes independentes não hipotecam o seu voto a qualquer preço. São resilientes e pedem esforço, dedicação e…solidariedade em troca de um sim no dia das eleições.

E é desta independência que os partidos têm medo!

13
Fev17

OS DIAS DA RÁDIO

escadas

 

2142210100_2c83e27b64_o.jpg

 

Em dias como o de hoje, é costume dizerem-se coisas como “a rádio é a minha paixão” ou “a rádio é a minha vida”.

Nasci para a rádio numa noite quente (tórrida) de verão na Amareleja, Alentejo profundo. Na telefonia do carro (era assim que se chamava na altura) ouvia-se a voz de Hermenegildo Gomes responsável na Antena 1 pelo programa “Separata Especial de Sábado”.

Naquela noite disse para mim mesmo; eu quero ser como este gajo. É isto que eu quero fazer na vida!

Os episódios que se se sucederam até ter chegado finalmente à dita rádio, (que acabou por não ser a “tal” Antena1 mas sim a Rádio Renascença), são matéria para outro dia, mas foi um percurso nada fácil e cheio de incidentes, os quais só reforçaram a minha certeza de que era de facto ali atrás de um microfone, no anonimato do estúdio, que eu me realizava como pessoa.

Por tudo isto em dias como o de hoje, prefiro parafrasear a Ana Catarina Santos; A rádio é o sangue que me corre nas veias!

É difícil explicar esta ligação quase umbilical, só mesmo quem vive de e para a rádio a consegue perceber sendo que esta perceção é nos dias que correm cada vez mais difícil.

A rádio de hoje vive na sombra de um divórcio litigioso que ocorreu na primeira década dos anos 60. A determinada altura, o seu grande amor o ouvinte, descobriu uma nova paixão, a televisão e sem dó nem piedade virou-se para o seu rádio a pilhas e exclamou: o problema não és tu sou eu!

Desde aí, a rádio tentou ultrapassar o trauma de ter sido trocada pela “outra” e nessa ansia de se reencontrar cometeu vários erros sendo que o maior deles foi ter encarado a própria televisão como uma concorrente.

Comparar a televisão com a rádio é a mesma coisa que comparar um livro com um filme. São campeonatos diferentes, são duas realidades que eventualmente se completam, mas que nunca entram em competição entre si.

O grande segredo da rádio, reside no mistério, na interpretação que o ouvinte faz daquilo que ouve, tal como num livro ou até mesmo numa pintura, a ausência de imagem faz com que a experiencia de quem ouve seja individualista, própria de cada um.

É uma experiência sensorial única!

É óbvio que a rádio que se faz hoje está a anos-luz da telefonia que fazia parar o Portugal nos anos 70, quando a seleção nacional de hóquei em patins jogava por exemplo.

É meu entendimento que precisamos de mais suor no rádio, mais transpiração e menos computadores.

A rádio é hoje em dia uma enorme “jukebox” com critérios discutidos entre os algoritmos de uma aplicação informática que gere a playlist da estação.

Ouçam a emissão da TSF no dia do incendio do Chiado, a reportagem do João Paulo Baltazar quando narrou em direto o confronto entre polícias secos contra polícias molhados em pleno Terreiro do Paço e perceberão o que quero dizer.

Podia relembrar aqui algumas das vozes que nos marcaram ou programas que fizeram história, o Pão com Manteiga, o PBX, o Página 1, o Café Concerto, o imortal Morrison Hotel, a Febre de Sábado de Manhã, A Cor do Som e tantos, tantos outros que preencheram o nosso imaginário, mas neste dia gostaria de lembrar dois nomes, apenas dois, e neles espelho todo um universo de gente que tinha a rádio nas suas veias e que viveram de e para a rádio.

Emídio Rangel e Jorge Perestrelo

Obrigado aos dois

19
Dez16

Obrigado

escadas

Esta é a altura do ano em que é costume desejarem-se Boas festas.

Há quem deseje apenas festas boas, mas…sigamos em frente.

Confesso que fiquei bastante hesitante, ainda estou, sobre esta natalícia tradição. A hipocrisia com que se “pintou” esta época do ano, faz-me pensar seriamente na direção em que caminhamos.

Trocaram-se os afetos por telemóveis, com ou mais menos megapixéis, mas todos com banda larga para se poderem partilhar as fotos das mesas fartas e recheadas de produtos que na sua maioria irão parar ao lixo devido ao excesso de consumo e para se enviar SMS aos demais conhecidos a informar que já contribuiu para a campanha de solidariedade X.

Aproveita-se a época para se fazerem campanhas de angariação de fundos.

Os benefiicados (além do IVA claro) são instituições de solidariedade social, as quais em regra só recebem estas “fantásticas” oferendas, neste mês de dezembro, pois durante o resto ado ano, toda a gente se esquece que existem, aliás, gostaria de deixar aqui um apelo aos responsáveis por essas instituições: FECHEM AS PORTAS ENTRE JANEIRO E NOVEMBRO! Abram apenas durante o mês de dezembro e assim justificam a BULA (a taxa Camarae) que muitos de nós pagam por estes dias. Dito por outras palavras; compram-se indulgências a avulso, para ficarmos prosaicamente descansados o resto do ano. Troca-se o silêncio vergonhoso do nosso egoísmo por uma ida à Worten e dois cobertores vermelhos para ajudar os velhinhos!

Posso estar enganado, mas isto não é Natal, este não é o MEU NATAL.

Tal como Ary dos Santos escreveu

“Natal é em Dezembro

Mas em Maio pode ser

Natal é em Setembro

É quando um homem quiser”

Pois…está visto que o Homem não quer, ou então tem uma vontade muito pequenina, mais na razão inversa do seu egocentrismo!

Não era isto que eu queria.

 

O que eu quero é mesmo desejar a todos, a todos sem excepção, um Santo e feliz Natal.

Acho que não tenho inimigos, apenas alguns ditos amigos, que o tempo se encarregou de me mostrar que “esses”, de amigos apenas têm o seu próprio umbigo e nada mais, mas até esses eu desejo UM SANTO E FELIZ NATAL!

O meu mantra para este ano foi muito simples; tentar dar a outra face. Perdoar a quem não o merecia, desculpar a quem do meu ponto de vista esteve menos bem.

Confesso que não consegui!

Tentei bastantes vezes, mas confesso que a vontade de os mandar a todos bardamerda continua a ser maior que a vontade de os receber de novo de braços abertos.

Não sou de ressentimentos, mas também não sou nenhum santo, por isso mesmo decidi que o meu objectivo em 2017 será o de continuar nesta demanda.

Aos outros, a todos aqueles que continuam a fazer parte desta minha caminhada, o meu obrigado.

Obrigado por não terem desistido

Obrigado por não esperarem por dezembro para ajudarem os outros

Obrigado por continuarem a dar significado à palavra solidariedade

Obrigado por se manterem justos

Obrigado por concretizarem o sentido do Natal todos os dias

Obrigado

UM SANTO E FELIZ NATAL PARA TODOS

044-menino_prodigio.jpg

 

22
Nov16

A ESTALINIZAÇÃO DA NAÇÃO

escadas

O grande líder da classe operária (da União Soviética entenda-se) ficará para a história como um dos maiores precursores da “tinta corretora”!

Penso que é do conhecimento geral, a alteração que Estaline mandou fazer a uma foto registada em 1930. Na foto original, aparecia Nikolai Yezhov (chefe da polícia secreta soviética e que era conhecido como “anão sanguinário”) que entretanto caiu em desgraça junto do grande líder soviético. Numa época em que ainda não havia Photoshop a opção passou por retocar a foto e retirar o “velho” amigo do enquadramento geral.

 

Voroshilov%2c_Molotov%2c_Stalin%2c_with_Nikolai_YeThe_Commissar_Vanishes_2.jpg

 

 

O mesmo aliás já tinha sido feito com Trotsky uns bons 20 anos antes, depois deste ter perdido uma disputa interna no Partido Comunista, a qual levou Estaline ao poder.

Esta expurga tinha como finalidade reescrever a história.

Estaline desconhecia na altura que anos mais tarde seria inventada uma coisa chamada internet!

 

 Para quem acha que estes acontecimentos são obra do passado, desengane-se.

logo.gif

 

O canal de televisão SIC, emitiu no passado sábado mais um episódio de “Perdidos e Achados”. Desta vez o alvo foi o “Dia Europeu sem Carros” que por acaso decorre em toda a europa no mês de…setembro, mas enfim…

Os mais novos não devem saber do que estou a falar, mas para o caso convém referir que se trata de uma data/iniciativa que visa promover a mobilidade nas cidades.

Em Portugal, o primeiro “Dia Europeu sem Carros” decorreu em 2000, João Soares era presidente da Câmara Municipal de Lisboa e José Sócrates ministro do ambiente.

 

 

Todos os estudos efetuados no dia seguinte ao evento e que tentaram apurar a eficácia da iniciativa, referem uma adesão perto dos 80%. Mesmo as propostas mais arrojadas e as que representavam eventualmente um maior risco de sucesso como em Lisboa por exemplo, resultaram num êxito total. Lembro que João Soares vedou o acesso aos carros numa área compreendida entre o Campo Pequeno e o Cais das Colunas!

Em Portugal a iniciativa foi promovida pelo Ministério do Ambiente e teve no secretário de estado do ambiente, o engenheiro Rui Gonçalves o seu principal coordenador. Do ponto de vista político, esta foi uma das primeiras provas de fogo de José Sócrates dentro do governo chefiado por António Guterres e uma forma de afirmação do seu peso politico que viria a ser confirmado no ano seguinte com a descriminalização do consumo de drogas, mas já lá vamos.

A opinião foi unânime; o Dia Europeu sem Carros em Portugal foi um exemplo para toda a europa e o civismo demonstrado pelos portugueses um exemplo a seguir e a replicar por outros países.

Reparem no dominador comum desta ultima parte do texto – João Soares e José Sócrates.

Pois bem, a reportagem da SIC emitida ontem, consegue esta coisa fantástica de não ter uma única referência a José Sócrates, uma única!

 

Mas há mais:

Há duas semanas, assinalou-se os 15 anos da descriminalização do consumo de drogas em Portugal.

E é bom que se falem destas coisas, pois o documento continua a ser uma referência mundial, digo bem, MUNDIAL!

A iniciativa de mudar o paradigma das drogas em Portugal tem um único responsável; José Sócrates.

Pode não se gostar, mas há coisas que são mesmo assim. Decorria o ano de 1998 quando o então ministro-adjunto do Primeiro-ministro e que tinha a tutela do Projecto VIDA, a entidade que coordenava a prevenção das toxicodependências em todo o território nacional, teve a ousadia de reunir à mesma mesa alguns dos maiores nomes ligados a esta problemática; o prof. Cândido Agra, João Goulão (presidente do SPTT), o Procurador-Geral Adjunto Lourenço Martins, os psiquiatras Júlio Machado Vaz e Nuno Miguel, a especialista em saúde mental e psiquiatria Maria Manuela Marques, o prof. Alexandre Quintanilha, o psicólogo Joaquim Rodrigues e finalmente Daniel Sampaio que foi também o relator do documento final.

 

1322647732capa_livro.jpg

 Foi este grupo de personalidades que um ano mais tarde, produziu aquilo a que se convencionou chamar “Estratégia Nacional de Luta Contra a Droga”, um documento pioneiro e inovador apresentado em cerimónia oficial na residência oficial do primeiro-ministro e que estabelecia um novo paradigma na prevenção e combate às toxicodependências, apontando claramente para a despenalização do consumo, situação que se veio a verificar em 2001.

Pois bem, no passado dia 7 o jornal Público refere-se a este acontecimento (os 15 anos da despenalização) e assinala como ponto mais importante desta reforma estruturante…MANUELA ARCANJO, que era na altura a responsável pela pasta da saúde!

Percebo certa animosidade que continua a existir em relação a José Sócrates, o que não posso aceitar é que a História, seja ela qual for, a História enquanto património coletivo, seja despudoradamente reescrita com vista à criação de uma nova realidade.

Eu sei que Putin continua a sonhar com a reunificação soviética, mas Estaline ainda não ressuscitou!

Mais sobre mim

foto do autor

google+

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D