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Os Ventos que Sopram de Espanha (e os casamentos associados)

por escadas, em 25.05.15

el pais.jpg

 

 

… antes que Paulo Portas se chegue à frente para comentar o resultados das eleições municipais espanholas, deixo aqui algumas reflexões sobre o acto em si e as consequências que se podem esperar das várias decisões escrutinadas.

1 – A esquerda, ou as várias esquerdas, tornou-se maioritária.

2 – A escolha de um partido, está cada vez mais relacionada com a notoriedade e a consequente empatia que o eleitor sente por este. O conteúdo pragmático dos partidos, perde assim em toda a linha para a empatia dos candidatos ou lideres. Os espanhóis votaram em pessoas e não em partidos!

3 – A forma como está a evoluir a situação política na Grécia, influenciou e muito, a decisão de voto. Os novos movimentos políticos, tidos como virtuais vencedores, há uns meses atrás, não viram confirmadas nas urnas essa tão esperada e propagada maioria, no entanto, tornaram-se numa força de referência, impondo o seu parecer na formação dos futuros executivos municipais, podendo inclusive, retirar o poder ao PP.

4 – A hecatombe do PSOE, tantas vezes anunciada por alguns analistas, não se verificou!

5 – finalmente…a esquerda vai ter mesmo que se entender!!!

 

 

mapa es.jpg

 

 

Dito isto, acresce a tentativa (ilegítima diga-se de passagem) de tentar colar estes resultados, à realidade portuguesa.

Em primeiro lugar, e mesmo dentro da realidade espanhola, estes resultados não podem ser extrapolados para as próximas legislativas.

Há “feudos” socialistas, que dificilmente encontrarão reflexo em ambiente nacional. Há aqui nitidamente uma opção de voto por personalidades e não por partidos. E por falar nisso, cabe aqui uma reflexão sobre estes novos movimentos.

Numa análise mais cuidada ao seu comportamento nestes últimos meses, constata-se que a tendência de voto tem vindo a decrescer. Penso que era óbvio para todos, que os apoiantes do “Podemos” e “Ciudadanos” viam no seu congénere grego “Syriza” uma esperança e um motor que poderia catapultar ainda ais este desejo de mudança. E a mudança neste caso, tal como na Grécia, assenta fundamentalmente no protagonismo de um homem; na Grécia Aléxis Tsípras e em Espanha Pablo Iglesias e Albert Rivera, líderes do Podemos e do Ciudadanos respectivamente.E sejamos claros, quanto mais decepcionante for a governação grega, maior será o descrédito nos líderes destes novos movimentos espanhóis.

Tal como em Espanha, também em Portugal as pessoas anseiam por mudança. Fala-se em descrédito na classe política tradicional e anseia-se por novos líderes que tragam novas ideias, novas abordagens à forma como se faz política e uma maior intervenção dos cidadãos (ou cidadões) na res publica. Uma coisa é certa, no espaço ibérico, as pessoas querem mudança, mas não estão dispostas a hipotecar essa mudança em troca de uma qualquer aventura. Por isso o PP ganhou na maior parte dos municípios! No entanto, trata-se de uma vitória amarga, já que dificilmente conseguirá fazer aprovar um executivo, pois não dispõe de uma maioria que o viabilize.

E quem retirou essa maioria? Os novos movimentos!

Vamos aguardar pelas legislativas espanholas, mas da forma como o líder do PSOE está a emergir e principalmente a forma como se bateu nesta campanha, antevejo vida difícil para o PP sendo que esta vida será tanto mais difícil, quanto maiores forem as alianças que o PSOE conseguir fazer com o Podemos e o Ciudadanos, a nível autárquico.

Credibilidade e confiança. É este o binómio vencedor das próximas eleições!

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publicado às 13:54



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