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CADA VEZ SABEMOS MENOS

por escadas, em 06.11.15

 

restaurante-rei-dos-leitoes.jpg

 

 

O eurodeputado Francisco Assis assinou ontem no jornal Público, um artigo de opinião para tentar justificar a realização do tão falado “Jantar da Mealhada”.

Assis, socorre-se do pensamento de Norberto Bobbio, político e filósofo italiano, que na sua época foi considerado um “enfant terrible” do PSI.

Mais do que um “D. Quixote” do racionalismo democrático italiano, Bobbio pode mesmo ser comparado aos libertários do sul da Europa, que com o desfecho da Segunda Grande Guerra, assumiram uma posição de rutura com o poder instituído e consecutivamente com “main stream”.

Contrariamente ao que Bakunin teorizava (1814-1876), estes novos cristãos tinham uma leitura da realidade mais estruturada e mais articulada entre si, quiçá mais burguesa!

 

Francisco Assis tem feito um percurso algo sinuoso, e à falta de um pensamento próprio, socorre-se (e eu quero acreditar que foi ele que escreveu o referido texto/paper) de autores estrangeiros, estes sim, com uma posição segura sobre a sociedade e a forma como os vários campos em confronto a fazem oscilar; Pedro Santana Lopes adotou há muito o mesmo processo!

Ao longo da sua vida, Norberto Bobbio (para quem a ética era um requisito indispensável para uma saudável relação entre a moral e a política) incompatibilizou-se com muita gente, entre eles o próprio líder dos socialistas italianos, Bettino Craxi.

Estiveram de relações cortadas, mas o imperativo nacional e a crise de valores que entretanto se abateu sobre os italianos, levaram o filósofo a reatar a velha amizade (foi um dos seus mais fervorosos apoiantes aquando da sua candidatura a Secretário Geral) e escreveu-lhe uma carta, da qual transcrevo o seguinte parágrafo:

"Nunca fui comunista, como sabes, mas agora que com o ruir do comunismo histórico teria surgido a ocasião propícia para uma grande iniciativa unitária, a pequena polémica quotidiana parece-me absolutamente estéril. Na minha opinião não basta mudar o nome do partido, pôr a unidade no título e aguardar que o filho pródigo retorne à casa paterna. Sem uma grande iniciativa, receio que não vá tornar (…) Mas eu não sou político, sou apenas um observador. Não exprimo propriamente uma opinião e muito menos faço propostas. Limito-me a expressar uma impressão." (12 de novembro de 1990)

 

Francisco Assis socorreu-se de Norberto Bobbio (e eu quero acreditar que foi ele o autor do texto) para dizer aquilo que não sabe expressar nem reconhecer.

No caso presente, deveria ter lido um pouco mais sobre a vida e obra do filósofo italiano, sobretudo a frase que o imortalizou a qual seria bom que Assis teorizasse sobre ela: “CADA VEZ SABEMOS MENOS”

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publicado às 16:22



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