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A MINHA REENTRÉ

por escadas, em 04.09.16

 

É da História. O maior inimigo do PS, é o próprio PS. Os mais novos não se lembram, mas durante o consulado de António Guterres (coisa do século passado) o maior partido da oposição era…o próprio grupo parlamentar do Partido Socialista!

Esta é uma das muitas tradições socialistas, a que os portugueses não acham muita graça. Tenho para mim, que os tugas, aquela mole humana que ainda se dá ao trabalho de ir votar, não acha muita piada a gente que gosta de instabilidade, feitios…

Vem isto a propósito da chamada “reentre”.

A “Silly Season” já lá vai (ou será que não…) e por estes dias em que boa parte dos portugueses resolveu voltar a ocupar o seu posto de trabalho e contribuir assim para a sustentabilidade da Seguração Social, os portugueses, dizia eu, são confrontados com as opiniões/premonições do casal Passos/Cristas.

Não tenho o poder extrassensorial do comendador Marques Mendes, mas convenhamos que não precisamos de ser nenhum Harry Potter ou uma Maya na fase pré silicone, para se perceber que a direita vai voltar ao poder, mas mês menos mês. E reparem que digo isto e a SIC ainda não me convidou para comentar a situação politica actual!!

Ora bem e porque é que eu digo isto, porquê? Primeiro porque posso, depois porque me apetece, e em terceiro lugar porque basta ver o tipo de comunicação que o PS tem produzido para se perceber que a coisa não está famosa, aliás se mais fosse preciso bastava ler nas entrelinhas do discurso de António Costa na reentre política deste ano!

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………o quê????? Não soube de nada? Não ouviu nada? Pois…se calhar não ouviu nada porque de facto não existiu.

Catarina Martins desdobrou-se em entrevistas. Usou e abusou do verbo disparatar.

Jerónimo de Sousa e a CGTP, tomaram conta dos media durante mais de 3 semanas

Assunção Cristas, tirando a sessão fotográfica para a revista “men's health” e aquela coisa do biquíni encarnado, dominou (imaginar Assunção Cristas Dominatrix é o fim da linha) durante os meses de Julho e Agosto e Passos, bem…Passos continua igual a si próprio, o que não sendo propriamente mau, não deixa de ser terrivelmente bom!

Pelo meio, tivemos uma noticia “bombástica” que dava conta do Partido Socialista estar falido e que até os próprios dirigentes nacionais tinham que ser eles a pagara as contas da água e da luz, e das “mines” acrescento eu! Esta notícia que de bombástica não tem nada, apareceu numa altura ótima, foi “plantada” a preceito e conseguiu ser notícia de abertura em quase todos os serviços noticiosos do dia.

Os mais perspicazes devem estar a pensar a esta altura, bem mas os responsáveis do PS, do que está no poder, os que nos governam atualmente devem ter reagido cedo a essa notícia não???? Bem…não foi bem assim…as coisas são mais complicadas do que parecem e sabem…estamos todos em férias, uns a descansar, outros a ler as entrevistas da Catarina Martins e a tentarem perceber o significado oculto da analogia bloquista, enquanto que outros estão entretidos a colar na parede, posters com as fotos de Assunção Cristas em biquíni (apenas os mais novos). E este é que o grande drama que vivemos. Temos um primeiro- ministro que lidera um governo que pela primeira vez em Portugal tentar mudar o paradigma da inevitabilidade do Bloco Central, e as pessoas continuam sem acreditar que isso é mesmo possível. Porquê? Porque continuam a olhar para o seu umbigo, porque se esquecem que cá fora há um País que não percebe patavina do que andam a fazer e que todos os dias é intoxicado com a propaganda direitista que a maior parte dos media tentam fazer passar.

É impressionante a quantidade de ministros que vivem na sombra e que por isso mesmo ninguém sabe quem são ou o que fazem. Um estudo levado a efeito na terceira semana de Agosto em 4 zonas de veraneantes, mostrou que 87% dos inquiridos com idade superior a 23 anos não faz ideia de que são os ministros que compõe este governo.

Mais; para uma impressionante fatia de 8,9% Passos Coelho ainda é o primeiro-ministro!

Termino esta minha reflexão e que marca a minha própria “reentré” (toma António Costa, VAI BUSCAR!!!!) com as palavras intemporais de Eça de Queirós:

O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de angústia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, é a desconfiança. O povo, simples e bom, não confia nos homens que hoje tão espectaculosamente estão meneando a púrpura de ministros; os ministros não confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores não confiam nos seus mandatários, porque lhes bradam em vão: «Sede honrados», e vêem-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposição não confiam uns nos outros e vão para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de ameaça. Esta desconfiança perpétua leva à confusão e à indiferença.

O país, que tem visto mil vezes a repetição desta dolorosa comédia, está cansado: o poder anda num certo grupo de homens privilegiados, que investiram aquele sacerdócio e que a ninguém mais cedem as insígnias e o segredo dos oráculos. Repetimos as palavras que há pouco Ricasoli dizia no parlamento italiano: «A pátria está fatigada de discussões estéreis, da fraqueza dos governos, da perpétua mudança de pessoas e de programas novos.»


Eça de Queirós, in 'Distrito de Évora'

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publicado às 22:34



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