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A ESTALINIZAÇÃO DA NAÇÃO

por escadas, em 22.11.16

O grande líder da classe operária (da União Soviética entenda-se) ficará para a história como um dos maiores precursores da “tinta corretora”!

Penso que é do conhecimento geral, a alteração que Estaline mandou fazer a uma foto registada em 1930. Na foto original, aparecia Nikolai Yezhov (chefe da polícia secreta soviética e que era conhecido como “anão sanguinário”) que entretanto caiu em desgraça junto do grande líder soviético. Numa época em que ainda não havia Photoshop a opção passou por retocar a foto e retirar o “velho” amigo do enquadramento geral.

 

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O mesmo aliás já tinha sido feito com Trotsky uns bons 20 anos antes, depois deste ter perdido uma disputa interna no Partido Comunista, a qual levou Estaline ao poder.

Esta expurga tinha como finalidade reescrever a história.

Estaline desconhecia na altura que anos mais tarde seria inventada uma coisa chamada internet!

 

 Para quem acha que estes acontecimentos são obra do passado, desengane-se.

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O canal de televisão SIC, emitiu no passado sábado mais um episódio de “Perdidos e Achados”. Desta vez o alvo foi o “Dia Europeu sem Carros” que por acaso decorre em toda a europa no mês de…setembro, mas enfim…

Os mais novos não devem saber do que estou a falar, mas para o caso convém referir que se trata de uma data/iniciativa que visa promover a mobilidade nas cidades.

Em Portugal, o primeiro “Dia Europeu sem Carros” decorreu em 2000, João Soares era presidente da Câmara Municipal de Lisboa e José Sócrates ministro do ambiente.

 

 

Todos os estudos efetuados no dia seguinte ao evento e que tentaram apurar a eficácia da iniciativa, referem uma adesão perto dos 80%. Mesmo as propostas mais arrojadas e as que representavam eventualmente um maior risco de sucesso como em Lisboa por exemplo, resultaram num êxito total. Lembro que João Soares vedou o acesso aos carros numa área compreendida entre o Campo Pequeno e o Cais das Colunas!

Em Portugal a iniciativa foi promovida pelo Ministério do Ambiente e teve no secretário de estado do ambiente, o engenheiro Rui Gonçalves o seu principal coordenador. Do ponto de vista político, esta foi uma das primeiras provas de fogo de José Sócrates dentro do governo chefiado por António Guterres e uma forma de afirmação do seu peso politico que viria a ser confirmado no ano seguinte com a descriminalização do consumo de drogas, mas já lá vamos.

A opinião foi unânime; o Dia Europeu sem Carros em Portugal foi um exemplo para toda a europa e o civismo demonstrado pelos portugueses um exemplo a seguir e a replicar por outros países.

Reparem no dominador comum desta ultima parte do texto – João Soares e José Sócrates.

Pois bem, a reportagem da SIC emitida ontem, consegue esta coisa fantástica de não ter uma única referência a José Sócrates, uma única!

 

Mas há mais:

Há duas semanas, assinalou-se os 15 anos da descriminalização do consumo de drogas em Portugal.

E é bom que se falem destas coisas, pois o documento continua a ser uma referência mundial, digo bem, MUNDIAL!

A iniciativa de mudar o paradigma das drogas em Portugal tem um único responsável; José Sócrates.

Pode não se gostar, mas há coisas que são mesmo assim. Decorria o ano de 1998 quando o então ministro-adjunto do Primeiro-ministro e que tinha a tutela do Projecto VIDA, a entidade que coordenava a prevenção das toxicodependências em todo o território nacional, teve a ousadia de reunir à mesma mesa alguns dos maiores nomes ligados a esta problemática; o prof. Cândido Agra, João Goulão (presidente do SPTT), o Procurador-Geral Adjunto Lourenço Martins, os psiquiatras Júlio Machado Vaz e Nuno Miguel, a especialista em saúde mental e psiquiatria Maria Manuela Marques, o prof. Alexandre Quintanilha, o psicólogo Joaquim Rodrigues e finalmente Daniel Sampaio que foi também o relator do documento final.

 

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 Foi este grupo de personalidades que um ano mais tarde, produziu aquilo a que se convencionou chamar “Estratégia Nacional de Luta Contra a Droga”, um documento pioneiro e inovador apresentado em cerimónia oficial na residência oficial do primeiro-ministro e que estabelecia um novo paradigma na prevenção e combate às toxicodependências, apontando claramente para a despenalização do consumo, situação que se veio a verificar em 2001.

Pois bem, no passado dia 7 o jornal Público refere-se a este acontecimento (os 15 anos da despenalização) e assinala como ponto mais importante desta reforma estruturante…MANUELA ARCANJO, que era na altura a responsável pela pasta da saúde!

Percebo certa animosidade que continua a existir em relação a José Sócrates, o que não posso aceitar é que a História, seja ela qual for, a História enquanto património coletivo, seja despudoradamente reescrita com vista à criação de uma nova realidade.

Eu sei que Putin continua a sonhar com a reunificação soviética, mas Estaline ainda não ressuscitou!

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publicado às 23:17

O NACIONAL TAXISMO

por escadas, em 28.09.16

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O maior problema da cidade de Lisboa, é sem sombra de dúvida, o trânsito.

Não sei se por inépcia ou se por vontade política, o transito nos últimos anos tem-se vindo a agravar.

Não se diga que a culpa é das obras. As obras são sempre necessárias e uma cidade sem obras é uma cidade morta.

A culpa é tão somente de quem governa, autarquia (e) ou poder central, da falta de gestão. Dois exemplos;

 

1 – estacionamento em segunda e terceira fila.

Não se percebe. Ninguém consegue compreender que se possa estacionar impunemente em segunda e por vezes em terceira fila, em qualquer rua da cidade de Lisboa. Almirante Reis, Morais Soares, Guerra Junqueiro, Av. De Roma, como dizem os americanos “You name it”, é só escolher…é à vontade do freguês, vale tudo sem que algum agente da autoridade (para quem não sabe, são aqueles senhores de bigode e barriga de fora) se incomode com a situação. Aqui os incomodados são aqueles que precisam de circular no alcatrão e não conseguem, os transportes públicos por exemplo, que ao terem o seu lugar de paragem ocupado, têm de o fazer em segunda fila, interrompendo a normal circulação.

 

2 – cargas e descargas Alguém sabe as horas legais para carga e descarga de mercadorias? Claro que não e se está regulamentado, ninguém as cumpre e se ninguém as cumpre, acham que alguém se importa com isso?

Hoje de manhã, a meio de uma discussão com um policia, perguntei se conhecia alguma capital europeia onde isto acontecia, e até lhe dei o exemplo de Londres. Resposta do jovem agente da autoridade: “sabe que se assim fosse as pessoas teriam que trabalhar só de noite não sabe?”. Ainda argumentei com a profissão de padeiro, mas desisti. Percebi rapidamente que apesar de jovem, a cabeça daquele agente da autoridade estava convenientemente formatada e que jamais evoluiria. As cargas e descargas são um verdadeiro cancro na cidade e contribuem verdadeiramente para o caos que se vive na capital. É uma anarquia completa e não parece haver por parte da autarquia qualquer tipo de vontade politica para resolver este problema. Neste como em muitos outros casos, parece que o ideal é varrer o problema para debaixo do tapete, mas a questão é que o problema nunca se resolverá, antes pelo contrario.

Nesta cidade, pode-se estacionar em segunda e em terceira fila, fazer qualquer tipo de descarga a qualquer hora do dia. A prioridade é dada a este tipo de actividade. Se quem vier atrás tiver que parar…que pare! Este tipo de atitude representa acima de tudo uma grande falta de respeito pelos outros, é como se alguém se sentisse com mais direitos que os outros tipo, português de primeira e português de segunda. Mas esta falta de civismo não é apenas de quem conduz, é sobretudo de quem gere o dia a dia desta cidade, da autarquia.

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Fazer obras não é apenas fazer buracos.

Alterar a fisionomia de uma cidade, torna-la mais bonita, mais amiga das pessoas, às vezes é bem mais fácil do que parece e muito mais económico, basta querer!

 

E finalmente o taxismo!

Estão a ver aquele individuo, tuga dos sete costados, que andou a vida toda a poupar uns trocos para montar a sua própria Casa de Pasto? Pois bem, é esse mesmo que agora não admite que um outro português, tão tuga como ele, tenha resolvido investir as poupanças de toda uma vida…num atelier de bifanas, meia dúzia de portas mais abaixo da mesma rua.

Os taxistas, são uma classe corporativista, xenófoba e reacionária. Só neste país é que o responsável de uma classe profissional responde a uma iniciativa governamental com a frase: “isto vai dar porrada” (desconhece-se se depois desta tirada poética, atirou uma bola de cuspo para o chão). Este é o tipo de atitude que numa sociedade democrática como a nossa não pode ser tolerada por ninguém, mas ainda assim parece que sim…Os taxistas foram hoje recebidos pelo presidente da camara municipal de lisboa. Será que Fernando Medina foi dizer aos taxistas que não podem estacionar na Praça Paiva Couceiro em segunda e terceira fila condicionando assim o restante transito? Duvido.

Em cima da mesa está uma greve marcada para dia 10 de outubro.

Este é o tipo de coisa qua a malta agradece, os colaboradores da UBER e Cabify e todos aqueles que diariamente têm que andar pelas ruas de Lisboa, enfrentando com coragem o Nacional Taxismo!

 

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publicado às 16:01

A MINHA REENTRÉ

por escadas, em 04.09.16

 

É da História. O maior inimigo do PS, é o próprio PS. Os mais novos não se lembram, mas durante o consulado de António Guterres (coisa do século passado) o maior partido da oposição era…o próprio grupo parlamentar do Partido Socialista!

Esta é uma das muitas tradições socialistas, a que os portugueses não acham muita graça. Tenho para mim, que os tugas, aquela mole humana que ainda se dá ao trabalho de ir votar, não acha muita piada a gente que gosta de instabilidade, feitios…

Vem isto a propósito da chamada “reentre”.

A “Silly Season” já lá vai (ou será que não…) e por estes dias em que boa parte dos portugueses resolveu voltar a ocupar o seu posto de trabalho e contribuir assim para a sustentabilidade da Seguração Social, os portugueses, dizia eu, são confrontados com as opiniões/premonições do casal Passos/Cristas.

Não tenho o poder extrassensorial do comendador Marques Mendes, mas convenhamos que não precisamos de ser nenhum Harry Potter ou uma Maya na fase pré silicone, para se perceber que a direita vai voltar ao poder, mas mês menos mês. E reparem que digo isto e a SIC ainda não me convidou para comentar a situação politica actual!!

Ora bem e porque é que eu digo isto, porquê? Primeiro porque posso, depois porque me apetece, e em terceiro lugar porque basta ver o tipo de comunicação que o PS tem produzido para se perceber que a coisa não está famosa, aliás se mais fosse preciso bastava ler nas entrelinhas do discurso de António Costa na reentre política deste ano!

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………o quê????? Não soube de nada? Não ouviu nada? Pois…se calhar não ouviu nada porque de facto não existiu.

Catarina Martins desdobrou-se em entrevistas. Usou e abusou do verbo disparatar.

Jerónimo de Sousa e a CGTP, tomaram conta dos media durante mais de 3 semanas

Assunção Cristas, tirando a sessão fotográfica para a revista “men's health” e aquela coisa do biquíni encarnado, dominou (imaginar Assunção Cristas Dominatrix é o fim da linha) durante os meses de Julho e Agosto e Passos, bem…Passos continua igual a si próprio, o que não sendo propriamente mau, não deixa de ser terrivelmente bom!

Pelo meio, tivemos uma noticia “bombástica” que dava conta do Partido Socialista estar falido e que até os próprios dirigentes nacionais tinham que ser eles a pagara as contas da água e da luz, e das “mines” acrescento eu! Esta notícia que de bombástica não tem nada, apareceu numa altura ótima, foi “plantada” a preceito e conseguiu ser notícia de abertura em quase todos os serviços noticiosos do dia.

Os mais perspicazes devem estar a pensar a esta altura, bem mas os responsáveis do PS, do que está no poder, os que nos governam atualmente devem ter reagido cedo a essa notícia não???? Bem…não foi bem assim…as coisas são mais complicadas do que parecem e sabem…estamos todos em férias, uns a descansar, outros a ler as entrevistas da Catarina Martins e a tentarem perceber o significado oculto da analogia bloquista, enquanto que outros estão entretidos a colar na parede, posters com as fotos de Assunção Cristas em biquíni (apenas os mais novos). E este é que o grande drama que vivemos. Temos um primeiro- ministro que lidera um governo que pela primeira vez em Portugal tentar mudar o paradigma da inevitabilidade do Bloco Central, e as pessoas continuam sem acreditar que isso é mesmo possível. Porquê? Porque continuam a olhar para o seu umbigo, porque se esquecem que cá fora há um País que não percebe patavina do que andam a fazer e que todos os dias é intoxicado com a propaganda direitista que a maior parte dos media tentam fazer passar.

É impressionante a quantidade de ministros que vivem na sombra e que por isso mesmo ninguém sabe quem são ou o que fazem. Um estudo levado a efeito na terceira semana de Agosto em 4 zonas de veraneantes, mostrou que 87% dos inquiridos com idade superior a 23 anos não faz ideia de que são os ministros que compõe este governo.

Mais; para uma impressionante fatia de 8,9% Passos Coelho ainda é o primeiro-ministro!

Termino esta minha reflexão e que marca a minha própria “reentré” (toma António Costa, VAI BUSCAR!!!!) com as palavras intemporais de Eça de Queirós:

O que verdadeiramente nos mata, o que torna esta conjuntura inquietadora, cheia de angústia, estrelada de luzes negras, quase lutuosa, é a desconfiança. O povo, simples e bom, não confia nos homens que hoje tão espectaculosamente estão meneando a púrpura de ministros; os ministros não confiam no parlamento, apesar de o trazerem amaciado, acalentado com todas as doces cantigas de empregos, rendosas conezias, pingues sinecuras; os eleitores não confiam nos seus mandatários, porque lhes bradam em vão: «Sede honrados», e vêem-nos apesar disso adormecidos no seio ministerial; os homens da oposição não confiam uns nos outros e vão para o ataque, deitando uns aos outros, combatentes amigos, um turvo olhar de ameaça. Esta desconfiança perpétua leva à confusão e à indiferença.

O país, que tem visto mil vezes a repetição desta dolorosa comédia, está cansado: o poder anda num certo grupo de homens privilegiados, que investiram aquele sacerdócio e que a ninguém mais cedem as insígnias e o segredo dos oráculos. Repetimos as palavras que há pouco Ricasoli dizia no parlamento italiano: «A pátria está fatigada de discussões estéreis, da fraqueza dos governos, da perpétua mudança de pessoas e de programas novos.»


Eça de Queirós, in 'Distrito de Évora'

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publicado às 22:34

Yes mr. Minister

por escadas, em 24.06.16

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…e de repente toda a gente é entendida em assuntos europeus, mesmo aqueles que nunca votaram para o dito parlamento.

De repente toda a gente acha que os ingleses estão malucos (ou talvez não…).

De repente toda a gente se acha no direito de ser um Nuno Rogeiro!

Qué isso??? Nuno Rogeiro só há um e esse, ainda não eram oito da manhã já tinha a certeza de que David Cameron tinha atrasado a sua declaração ao Reino, porque estava ao telefone com o Presidente da China, depois de ter falado cm o Presidente da União Europeia e com Obama (não se percebe porque é que não falou com Durão Barroso e com Michel Temer).

Nuno Rogeiro sabe, tem certezas, tal como Ricardo Costa e a esmagadora maioria dos recém-criados analistas políticos. Esquecem-se no entanto estes “iluminados” que este “Brexit” não aconteceu ontem.

Esta fuga para a frente teve o seu início, no mesmo dia em que o Reino Unido se recusou a fazer parte da moeda única. O que aconteceu ontem foi apenas o culminar de uma arrogância insular, caracterizada por David Cameron em conluio com os responsáveis das instâncias europeias. É bom não esquecer, que o ainda (até Outubro ao que parece) primeiro-ministro inglês, ganhou as ultimas eleições com um discurso do mais populista que se tem visto, prometendo entre outras coisas, a realização do referendo que veio a perder!

A pergunta que todos fazem agora é; e como é que isto foi possível?

Eu respondo com a mesma sapiência que caracteriza José Manuel Fernandes; os políticos europeus têm sobrevivido ao longo destes últimos anos, olhando apenas para o umbigo uns dos outros (diga-se em abono da verdade que na maior parte dos casos, só olham para o seu…).

A participação cívica nos atos eleitorais que definiram o atual parlamento europeu e as instituições que o regem tem sido francamente deplorável se não mesmo dececionante. Os europeus há muito que se divorciaram destes políticos.

A europa da coesão e da solidariedade de Jean Monnet e Jacques Delors, deu lugar a uma sociedade de capital misto com interesses em paraísos fiscais e em sociedades de capitais de risco!

A isto tudo, junta-se uma Inglaterra que viveu sempre da mama europeia.

A culpa é apenas deste senhor Cameron? Claro que não. A culpa é da senhora Thatcher, do senhor Blair e de tantos outros autocratas que se têm auto glorificado à nossa custa. Hoje foi o Reino Unido (ou Desunido como alguns já lhes chamam), amanhã será a Dinamarca e a Holanda.

Em vez de meditarmos sobre isto, talvez seja esta a hora de tomar medidas concretas, como por exemplo, perguntar a toda a gente e de uma vez por todas:

QUEM QUER PERTENCER A ESTE CLUBE?

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 P.S. este não é o primeiro referendo britânico à permanência na União europeia. Em 1975 Harold Wilson promoveu um, tendo ganho o sim com a expressiva margem de 67%

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publicado às 16:10

AS VACAS QUE VOAM

por escadas, em 02.06.16

(e outros animais mitológicos)

 

 

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O congresso do partido Socialista, que se realiza este fim-de-semana em Lisboa, é uma boa oportunidade para refletirmos sobre a saúde da nossa democracia e a dieta a que tem sido submetida desde 1974.

Não sei se já repararam, mas temos quase tantos anos de democracia, como de ditadura o que nos deveria deixar de certa forma orgulhosos. Então por que não estamos?

Diz-se por aí que Portugal vive pela primeira vez desde 74, uma experiência de aliança à esquerda. Parece que as várias esquerdas resolveram entender-se, o que provocou uma azia tremenda em certos senhores ditos de direita, se fosse comigo eu também estaria a caixas diárias de Kompensan, pelo menos até o Partido Comunista acordar e perceber que se continuar a apoiar este governo, perderá a sua base eleitoral nas próximas eleições…por outro lado, há quem diga que Catarina Martins está de malas aviadas para o Teatro Nacional, abraçando assim uma profissão da qual nunca se divorciou completamente.

Mas se tudo isto é verdade (ou não…) ou pelo menos verosímil, porque é que o Partido Socialista não está contente?

Com excepção de Ascenso Simões, (cabeça de lista pelo distrito de Vila Real) que fez publicar uma notável reflexão sobre o momento atual do PS e a moção que António Costa apresenta a este congresso, a oposição interna praticamente não existe, resumindo-se apenas a meia dúzia de comensais que entre decibéis de refluxos de neofagia aguda, continuam ainda a viver em Lilliput!

Entre outras apreciações, Ascenso Simões afirma na entrevista citada que a moção que Costa apresenta a Congresso não passa de um “buraco negro” (ups…ó Dr. Galamba, parece que há pelo menos uma pessoa naquele Partido que não tem medo de falar…), mas eu gostaria de me debruçar noutra passagem do texto. Diz o deputado socialista que “ um Governo não é feito de uma só pessoa, um partido não é feito de uma só voz. Concordo, mas infelizmente não é verdade.

Temos assistido ultimamente a uma transformação profunda na forma como os partidos políticos (alguns) se têm reestruturado, a começar por exemplo pela implementação das eleições diretas. Mas se olharmos mais atentamente para a realidade deste PS, vemos que os caciques de outrora que dominaram o Partido e o fizeram perder várias eleições, continuam a dominar o aparelho do Partido, veja-se por exemplo o que se passa na Federação de Coimbra, que é digno de uma qualquer novela de “Corin Tellado” mas com contornos pidescos!

Por outro lado, as últimas sondagens demonstram sem margem para duvidas que continua a existir uma diferença clara entre António Costa e o Partido que dirige, ou seja, os portugueses confiam em Costa, mas continuam a ter dúvidas em relação ao Partido Socialista.

Até há poucos anos, os partidos, distinguiam-se entre si através de uma “coisa” chamada IDEOLOGIA. Quando eram chamadas a votar, as pessoas escolhiam entre partidos de acordo com a ideologia que representavam, comunistas, sociais-democratas, democratas cristãos e militantes extremistas apresentavam as suas propostas e o povo votava!

Hoje em dia, temos um Partido Socialista que é social-democrata, um partido Social Democrata que é popular e um Partido Popular que também é popular, apesar de ser democrata cristão; e ainda querem que as pessoas não se confundam?????

De facto, há muito que se deixou de votar em partidos. Quem acompanhou campanhas eleitorais sabe perfeitamente que as pessoas votaram no Sócrates, no Passos Coelho, no Portas e no Costa, em detrimento dos partidos que representam. São estas personalidades fortes (ou não) que arrastam as multidões e decidem os resultados eleitorais.

Dito isto, é legítimo perguntar para que servem então os partidos?

Será que posso avaliar determinado partido, através do comportamento de um seu qualquer dirigente? Voltando ao lamentável caso de Coimbra, será que os eleitores do PS de Coimbra irão definir o seu sentido de voto de acordo com o comportamento dos atuais dirigentes, ou olharão apenas para o comportamento de António Costa à frente do executivo?

E não é menos verdade que cada um de nós olha para o nosso colega de trabalho e tenta relacioná-lo com o seu partido político? Expressões como: “vê-se mesmo que é do PSD”, ou então “são todos iguais…” já há muito que fizeram parte do nosso dia-a-dia e demostram como apesar de tudo, tentamos integrar cada um, no todo.

Quando Miguel Cadilhe disse em 2005 que Cavaco Silva era um eucalipto (secava tudo à sua volta) o antigo ministro das finanças estava a caracterizar a personalidade política do antigo primeiro-ministro. Obviamente que não há comparação possível entre os dois políticos, mas podemos questionar os terrenos em que se move Costa hoje em dia. Não se pode acusar António Costa de ter secado o terreno à sua volta, antes pelo contrário, mas convenhamos que a imagem não é simpática.

Por enquanto, António Costa está sozinho a puxar um barco que teimosamente tenta ultrapassar todas as tormentas, mas a corda pode esticar por excesso e partir-se…

Enquanto português de boa-fé e contribuinte exemplar, desejo que esta “experiência” governativa surta efeito, mas se por mero acaso formos chamados às urnas antes de tempo e tivermos que olhar não só para Costa mas para a toda a sua “entourage”, iremos chegar a que conclusão?

O panorama não é brilhante, diria mesmo – obscuro.

Este é um tema que tenho a certeza que não será debatido neste Congresso, mas mereceria um pouco mais de atenção.

 

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publicado às 22:25

EM DEFESA DA MEMÓRIA DE LISBOA

por escadas, em 11.03.16

Sou um apaixonado por Lisboa, sempre fui.

Guardo memórias de uma Lisboa boémia, com bares de cores obscuras, vedados por portas que só se deixavam abrir a clientes menos dados ao chamado “main stream”. Casas noturnas em que mal se vislumbrava a cara dos clientes, tal era o fumo que inundava o espaço.

Ainda hoje guardo com melancólica saudade, o cheiro e as cores de uma pequena leitaria que existia mesmo no início da Rua do Alecrim. Era aí que parava antes de empreender a subida até à Rua Ivens 14, poucos minutos antes da meia-noite. Era aí que comia a minha última bucha, antes de entrar ao serviço na Radio Renascença. Foi aí que conheci a Joana, rapariga de meia idade que se prostituía nos bares do Cais do Sodré. A Joana tinha uma lista com a tabela dos barcos, que carregados de marinheiros escolhiam Lisboa periodicamente como ponto de paragem. Tal como eu, a Joana também tomava a sua última bucha naquela leitaria, antes de entrar ao serviço no Jamaica e no Escandinávia, Niagára ou Roterdão. A Joana conhecia de cor, as cores dos néons de toda essa fauna.

 

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Confesso que a primeira vez que entrei no Escandinávia, tinha as pernas a tremer. O ambiente era pesado. A “concorrência” era pesada, alma era leve (tal como a carteira). Valeu-me na altura a Joana que me apresentou a Maria, mulher corpulenta com mais de 100 kg e que ambicionava amealhar o dinheiro suficiente para abrir uma banca de jornais, era um doce de mulher. Também havia uma outra amiga que sonhava com uma peixaria! Estórias de vida que só por si davam um livro.

Mas não recordo apenas o Cais do Sodré. Lembro como se fosse ontem a primeira vez que entre no Maxime, já depois de completar 18 anos. O curioso desta história é que trabalhei durante alguns anos com muitas das artistas que abrilhantavam os shows daquela casa e no entanto o meu “tutor” na altura, o grande Vítor Mendes nunca me deixou entrar lá, alegando que não tinha idade para frequentar tal lugar!

Acabei por fazer a minha estreia pela mão do grande Paulo Fernando!

Muitos anos antes, já me tinha igualmente apaixonado por outra casa mágica, o Fontória.

O Fontória ficava quase paredes meias com o Maxime (o Vitor Mendes não tinha jurisprudência lá…) e ocupava a sub – subcave de um prédio na Praça da Alegria. Quem descia os lances de escadas da perdição, quase que parecia que estava a entrar nas profundezas do demo.

O "velho" Manolo fazia as honras da casa.

A média de idades das mulheres que ali alternavam, deviam andar pelos 50, 60 anos. As mesas eram decoradas com um oleado aos quadrados vermelhos e brancos, moda ultra retro, recentemente importada das Galinheiras. As bailarinas que atuavam duas vezes por noite, envergavam maiôs pretos, daqueles que se usavam na ginástica, decorados com fitas brilhantes iguais às que decoram as árvores de Natal. Eram quase todas “reformadas” do Parque Mayer!

O Wiskey era do pior que havia, Quem o bebia arriscava-se a nunca mais ser pai na vida!!!!

Em contrapartida, a orquestra era do melhor. Músicos que tinham tocado na Orquestra ligeira da Emissora Nacional. O baterista, cujo nome já não me recordo, dava aulas no Hot Clube, mesmo ali ao lado. E foi ali que conheci o verdadeiro Serafim Saudade. Foi ali que Herman se foi inspirar par afazer um dos seus mais populares “bonecos”.

Mas a cereja no topo do bolo, era a D. Lurdes. Senhora já de alguma idade que deambulava entre as mesas, com uma cesta de verga no regaço. Lá dentro…ROSAS!

Eram essas rosas que serviam de cartão-de-visita para se encetar conversa com as “meninas”. O processo era do mais romântico que existe; o cliente chamava a D. Lurdes, comprava uma rosa e pedia-lhe para a ir entregar a determinada” menina”, a qual viria depois à mesa agradecer acto tão nobre a cavalheiresco. Desafio qualquer um, a descrever-me coisa mais romântica do que esta!

 

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Dito isto, penso que está patenteado o meu amor por Lisboa e as suas ancestrais tradições.

Ora bem…nestes últimos dias, tem circulado por aí uma petição contra o encerramento do Jamaica e outras casas noturnas da zona do Cais do Sodré. Nestes últimos dias têm-se multiplicado os artigos de opinião, alguns dos quais assinados por gente que eu muito admiro, em defesa da tradição e do bairrismo lisboetas.

Insurgem-se contra a transformação de algumas casas típicas em hotéis de charme e boutiques de moda duvidosa.

Eu sei que muitos destes críticos, não têm idade para ter memória, por isso mesmo lembro que esta revolução imobiliária, não começou agora. Em boa verdade, teve o seu inicio muito antes da invasão turística que muitos criticam agora.

Sabem…em tempos que já lá vão, havia uma casa que se chamava “Ritz Club”, outra chamada Maxime, e um conjunto delas que estavam agrupadas num local que se chamava Parque Mayer.

Nada disso já existe!

Esses locais míticos, fazem parte apenas da memória de alguns, como a minha por exemplo.

Mesmo no Cais do Sodré, a maior parte das casas que animavam e deram nome ao local, já não existem há muito tempo, desapareceram com os marinheiros e estivadores que entretanto trocaram Lisboa por outras paragens.

Dizem algumas dessas vozes criticas, que o poder político (entenda-se a Câmara Municipal de Lisboa) deveria assumir o património dessas casas e zelar para que não desaparecessem.

Mas…e pergunto eu, onde estiveram essas vozes nos últimos meses? Frequentaram essas casas? Contribuíram de alguma forma para que não entrassem em processo de falência, como parece ser o caso?

Quantas delas foram nos ultimos meses ou semanas, beber uma jinjinha ao Rossio (sabem que também está em perigo?)

Onde estavam essas vozes quando o cinema Londres teve que fechar porque dava muito prejuízo, porque…eventualmente essas mesmas vozes, não foram ao cinema, as vezes suficientes…e o Condes e o Odéon e tantos, tantos outros?

É muito fácil deitar as culpas nos outros quando a nossa própria incompetência, nos manda ficar deitados, muito calados, a ver o que acontece (vide “rifão quotidiano” de Mário Henrique Leira).

As sociedades evoluem. É inevitável e na maior parte dos casos, essa evolução resulta da nossa própria intervenção. Lisboa tem mudado muito nos últimos anos. A maior parte dessas mudanças, resultam de interesses económicos apostados em gerar mais-valias, o chamado lucro.

O Mundo é composto de mudança como cantava José Mário Branco, e as sociedades tendem a adaptar-se a essas novas realidades, quais placas tectónicas, ou peças de um puzzle que tendencialmente nunca ficará terminado.

As lojas tradicionais estão a desaparecer? Estão!

Os Tuk Tuk invadiram a baixa da cidade? É verdade

Os restaurantes típicos substituíram as ementas para agradar mais aos turistas? Pois foi!

E já agora…não se esqueçam que o tão emblemático Papa Açorda, deixou o Bairro Alto, para se instalar na zona do Cais do Sodré!

Pois…Esta coisa da tradição só não é boa se for para os outros, não é D. Catarina???

 

 

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publicado às 23:13

EU É QUE SOU O PRESIDENTE DA JUNTA!

por escadas, em 25.01.16

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Portugal é um país com perto de 10 milhões de habitantes, dos quais 11 milhões são comentadores políticos, perto de 18 milhões especialistas em comunicação (política) e mais de 30 milhões, são estudiosos e profundos conhecedores das coisas do futebol!

Por isso mesmo, atrevo-me também eu, a escrever umas breves linhas sobre o resultado das eleições para a presidência da República.

Na noite de ontem tive oportunidade de ouvir alguns comentadores, referirem o facto de ser preciso fazer um “case study” sobre a campanha de Marcelo; sobre a não campanha, neste caso. Salientavam estes entendidos, que de futuro, as campanhas serão diferentes e que Marcelo inaugurou uma nova forma de fazer política.

Bem…Marcelo esteve mais de uma década em pré campanha!

Tinha um espaço de opinião política todos os domingos no canal de televisão mais visto em Portugal!

Nunca foi sujeito a contraditório!

Regra geral, as suas opiniões eram transformadas em sound byte!

A comunicação social transformou-o no “Professor”!

E agora digam-me… com este tipo de trunfos, o candidato Marcelo Rebelo de Sousa precisava de fazer campanha para quê? Só se fosse para baixar nas sondagens, as quais, lembrem-se, chegaram a atingir os 60%!!!

Marcelo foi levado ao colo, é um facto, mas que isso não sirva de desculpa para os restantes candidatos.

Desde logo os abjetos populistas, com Henrique Neto à cabeça, que em muito contribuíram para o resultado final da abstenção, aquele senhor que era candidato do PCP e do qual não me lembro do nome, e para aqueles que acham que o Bloco de Esquerda passa a vida a olhar para o seu umbigo…pois bem, tinham razão, de facto o eleitorado olhou para o umbigo (e para os ombros também).

Já o referi anteriormente, e neste dia de rescaldos, importa uma vez mais falar de Maria de Belém. Provavelmente de uma forma injusta, já que quem deveria ser abordado, eram quem a convenceu a avançar, forjando uma suposta sondagem que nunca existiu, com números completamente irreais. Quem deveria estar a ser julgado, é o responsável pela estratégia suicida de comunicação que impingiram à candidata.

Quem deveria ser acusado nesta altura, é o responsável, ou responsáveis, por esta atitude perfeitamente revanchista, demagógica e trauliteira! Onde estão aqueles que durante meses se agarraram ao telefone tentando convencer os autarcas do PS a apoiarem Maria de Belém? Onde estão aqueles que durante todo o Verão fizeram acreditar a classe jornalística que mais de metade do Partido Socialista estava ao lado da candidata Maria de Belém?

Esta foi uma campanha de equívocos. Desde logo, o episodio do logotipo, uma cópia quase fiel da campanha de Obama e que motivou a chacota geral nas redes socias, levando à sua substituição em menos de uma semana. E o que dizer do “timing” para o anúncio da sua candidatura?

E ainda se queixam estas almas de terem sido vitimas?

Estará ainda por perceber se parte da abstenção registada nestas eleições, não se deve à campanha vergonhosa protagonizada por Maria de Belém e a sua equipa. É um facto que muita gente tentou criar a ilusão de que não era necessário votar, outros optaram por desvalorizar o acto em si, mas no caso concreto de Maria de Belém, podemos teorizar sobre a transferência de intenções de voto (basicamente eleitores desiludidos) para o universo abstencionista.

Poderão perguntar; então e os outros candidatos não poderiam ter beneficiado dessas transferências?

Sim, poderiam, mas com excepção de Ana Gomes, não conheço mais ninguém que o tenha feito, a culpa neste caso é dos próprios candidatos e esta é a deixa para falar de Sampaio da Nóvoa, o meu candidato.

Do meu ponto de vista, Sampaio da Nóvoa cometeu diversos erros. Em primeiro lugar acordou tarde.

Tendo em conta que foi o primeiro candidato a apresentar-se publicamente, seria de admitir que teria mais tempo para se impor junto do seu eleitorado, mas tal não aconteceu. Arrisco mesmo dizer, que até ao anúncio de Maria de Belém, Sampaio da Nóvoa entreteve-se apenas em pequenas reuniões de amigos, aqui e ali…sem uma estratégia definida. Sampaio da Nóvoa teve o mérito de ser o primeiro a propor-se ao eleitorado, esteve muito tempo sozinho a disputar apenas consigo próprio e o fantasma da notoriedade, o espaço mediático e mesmo assim, não conseguiu tirar partido desta vantagem.

Pior ainda; ao recentrar a sua estratégia, fê-lo tendo com o objectivo claro, da disputa com Maria de Belém do eleitorado PS. Nada mais errado!

Não se retire destas minhas minhas palavras qualquer outra intensão ou significado - votei Sampaio da Nóvoa e votaria de novo amanhã se tal fosse necessário. Conheci o candidato de perto e devo dizer que foi das melhores pessoas que conheci até hoje. Sampaio da Nóvoa é uma referência na minha vida, enquanto cidadão, teria sido um extraordinário Presidente da Repúbica, tenho a certeza disso e não há nenhuma ambiguidade nesta minha apreciação - tal como dizia Abraham Lincoln "Só tem o direito de criticar aquele que pretende ajudar."

Mas voltemos à minha análise...

Um candidato presidencial que ambicione ser eleito, sabe que tem de falar ao “centrão”, é aqui que estão os votos que interessam. O Partido Socialista por si só nunca conseguiria eleger um candidato, fosse ele qual fosse. Alguns dos meus amigos poderão até dizer: ah e tal, mas a ideia era passar à segunda volta; sim é verdade, mas mesmo essa hipótese nada nos garantiria que Marcelo fosse derrotado, aliás, tenho até a impressão, que havendo uma segunda volta, Marcelo sairia vencedor com mais de 60% (ainda bem que é só uma impressão).

Também não partilho da ideia de que a esquerda estava dividida e que isso contribuiu para a vitória da direita, errado! Como se comprovou…mesmo que existissem apenas dois candidatos, nada garantiria que Marcelo não continuasse vencedor. A questão reside nos abstencionistas, que parecem ser cada vez mais, e esse poderá de facto ser um problema para a esquerda. A certa altura da campanha, até parecia que o adversário não se chamava Marcelo Rebelo de Sousa. Belém acusava Nóvoa, Edgar acusava Belém e Marisa, Marisa acusava Edgar, Neto acusava Sócrates e Morais acusava todos (incluindo ele próprio).

Este tipo de atitude microcéfala, promoveu a abstenção e o descrédito da classe política e esta foi outra das estratégias de Marcelo. A maior parte dos comentadores refere que Marcelo não fez comícios, não teve caravana, não teve cartazes, não teve nada, aliás… (comentário meu) Marcelo não teve mesmo nada, nem ideias! Marcelo não precisou de nada, pura e simplesmente porque já tinha tudo…e de borla!

Teve Judite de Sousa durante anos!

Teve Expresso aos fins-de-semana!

Teve SIC diariamente!

Até conseguiu ter RTP com emissão extra em dia de eleições!

Mas uma vez mais, que isto não sirva de desculpa, os outros candidatos é que não conseguiram conquistar os votos da abstenção e essa é uma vez mais a grande razão da vitória da direita em Portugal.

Num país cada vez mais acéfalo, dominado por telenovelas e “casas de Segredos”, qualquer Teresa Guilherme de Rans, consegue uma exposição bem acima da média. Emídio Rangel tinha razão.

Continuamos a olhar para o umbigo!

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publicado às 17:12

A ABADIA

por escadas, em 02.01.16

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Ao longo da minha vida, já fui mais de uma dúzia de vezes a Londres.

Curiosamente e porque ia sempre em trabalho, nunca tive oportunidade de ver a maior parte dos “landmarks” da capital britânica.

Desta vez foi diferente. Desta vez, muni-me de um mapa, comprei bilhetes antecipadamente e visitei tudo aquilo que é suposto conhecer-se!

Por isso mesmo, sinto-me uma “verdadeira autoridade” no que toca a locais de visita obrigatória, por isso mesmo, entendo que devo partilhar com todos, a verdadeira experiencia sensorial que vivi na Abadia de Westminster.

Já sei o que estão a pensar: “o gajo foi a Londres e foi visitar uma igreja?”

Westminster não é uma igreja qualquer. Esqueçam Dan Brown e as suas teorias da conspiração. Se quiserem saber mais coisas sobre este local mágico, googlem que vão encontrar muitas informações.

A abadia é visitável todos os dias entre as 9 e meia e as 17 horas. As visitas são pagas, os ingressos custam 18£ (25€ mais coisa menos coisa) e não se podem tirar fotografias.

Só que…às 17:00 é celebrada missa e esta celebração é acompanhada por um coro, “directamente descido dos Céus” que confere à ocasião um simbolismo único, acreditem e como é óbvio…não se paga!

 

Sim eu estive lá. Não me sentei na “Pedra do destino”, nem passei a mão pela cabeça de S. João Batista, mas relembrarei para sempre os 30 minutos que tive o privilégio de partilhar com todos os que encheram aquele espaço.

Estão ali sepultados, Isaac Newton, Charles Dickens e Charles Darwin entre outros. É ali que todos os Reis ingleses são entronizados e foi ali que Henrique III mandou construir defronte ao altar-mor em 1268 um fabuloso e majestático pavimento Cosmati, que merece a vossa visita demorada.

 

pavimento-cosmati.jpg

 

A celebração termina às 17:30 e é precisamente a essa hora que os sinos começam a dobrar como se de um casamento real se tratasse. A vossa saída vai processar-se ao som telúrico destes sinos, conseguem imaginar? Ao vosso lado, ergue-se o majestoso Big Ben, guardião das mais nobres discussões que diariamente se travam no Parlamento inglês. Atrás de si o Tamisa e a mais recente aquisição britânica o “London Eye” (qualquer relação com o “all-seeing eye” é pura coincidência). Querem mais?

Portanto já sabem, da próxima vez que visitarem Londres, ponham na vossa agenda, uma visita à Abadia de Westminster.

Tenho a certeza de que, tal como eu, não se irão esquecer!

 

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publicado às 22:33

UMA QUESTÃO DE CREDIBILIDADE

por escadas, em 11.12.15

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NÃO SEI QUEM SERÁ MAIS CEGO…SE O QUE NÃO VÊ, SE O QUE NÃO QUER VER.

 

No dia em que passos Coelho e Paulo Portas decidem assumir publicamente o seu apoio a Marcelo Rebelo de Sousa, coincidindo com uma “sondagem”, tipo “banho de multidão” que dá a vitória ao mediático comentador, decidi tornar público a minha intenção de voto.

E para que não restem qualquer tipo de dúvidas, dia 24 de Janeiro irei votar em António Sampaio da Nóvoa.

Faço-o por vários tipos de razão e nenhuma delas é por exclusão de partes. Essa seria a pior das opções.

Tomei contacto com Sampaio da Nóvoa, quase no mesmo dia e à mesma hora que a maioria dos portugueses; dia 10 de Junho de 2012! Foi nesse dia que o então reitor da Universidade de Lisboa, fez o discurso  mais mediático que há memória em cerimónias oficiais. Estava longe de saber que apenas 3 anos mais tarde, estaria ali, lado a lado, com uma das pessoas que mais influenciou o meu pensamento político.

Repito, dia 24 de Janeiro, voto no único candidato que me representa enquanto português, no único candidato no qual me revejo.E explico porquê:

Já aqui o disse há uns meses; Herman José, Manuel Luís Goucha, Júlio Isidro e Ricardo Araújo Pereira, são excelentes comunicadores aparecem todos os dias na televisão, falam para milhões de espectadores, têm legiões de fãs, mas isso não faz deles (infelizmente em alguns casos) bons Presidentes da República. Marcelo rebelo de Sousa, sabe falar para uma câmara de televisão, (sabe enamorar-se da lente) conhece como ninguém os ângulos mortos do “decor”, mas a sua postura acaba aí. Para Marcelo, o acto político resume-se a uma sessão de autógrafos. Um pouco mais à esquerda (mas pouco) há um outro candidato, ou candidata como se preferir. Conheço Maria de Belém há muitos anos e a apreciação que faço da sua candidatura é meramente política, não misturo coisas. Maria de Belém é apenas um apêndice (pequeno) de alguma gente ressabiada que deixou de ter voz activa e que vê nesta candidata a melhor forma de ajustar contas com o fantasma do seu passado recente.

Temo que Maria de Belém acabe a percorrer esta estrada sozinha, desamparada, sem glória…

Confrontado com as mais recentes sondagens, alguns amigos mais chegados poderão dizer-me que apesar do meu optimismo Marcelo vai ganhar. Talvez assim seja, mas isso não retira em nada o mérito da candidatura de Sampaio da Nóvoa.

É verdade que não há vencedores antecipados, tal como não existem derrotados premeditados.

O que existe é gente que passa demasiado tempo a olhar para o seu umbigo, esquecendo-se que o Mundo cá fora muda todos os dias, todos os minutos, segundo a segundo.

Este é o meu compromisso, o meu empenhamento.

Vamos lá?

 

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publicado às 11:25

REALIDADE PARALELA

por escadas, em 27.11.15

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Tal como muitos de vós, também eu estive atento ao discurso que Cavaco Silva ontem proferiu na tomada de posse de António Costa e do XXI Governo Constitucional.

Já muito se disse sobre as palavra ocas e bafientas, com que o chefe de estado resolveu abrilhantar a cerimónia. Tentei relativizar o sentido telúrico das mesmas, mas por mais que tente, não me sai da cabeça um dos episódios mais caricatos da nossa História recente.

Estávamos em 1968…

 

Salazar já tinha caído da cadeira e Marcello Caetano sucedia ao velho e moribundo ditador na condução dos “destinos patrióticos da Nação”!

No entanto, o séquito bajulador que rodeava Salazar, e numa tentativa de adiar o mais possível a entrada no clube dos órfãos, criou uma realidade paralela, que era alimentada diariamente.

Tal como qualquer produção “Holiudesca”, Salazar era “alimentado” diariamente com noticias que o continuavam a dar como principal protagonista de um País, que de facto já não existia. Foram produzidas edições únicas de jornais, com noticias falsas, noticiários de rádio e reportagens de televisão, tudo para continuar a alimentar o ego masoquista de António Oliveira Salazar e o seu grupo de sanguessugas.

Salazar viveu os seus últimos meses numa realidade paralela.

Era-lhe “vendido” um país que não existia.

O discurso de ontem de Cavaco Silva, fez-me lembrar esta página negra da nossa história.

O actual Chefe de Estado, falou como se fosse ele ainda o responsável máximo do executivo. Fez ameaças e exigências como se dele dependesse o governo da Nação. Compreendo que Cavaco tenha saudades dos anos em que foi primeiro ministro, dos tempo em que uma só palavra sua, fazia cair os mercados bolsistas, dos tempo sem que os portugueses aprenderam que era feio, muito feio, comer Bolo-Rei de boca aberta!

É um facto que devemos elogiar o espirito patriótico e de sacrifício com que esteve na tomada de posse (quase que não se notavam os fios por cima da cabeça que o mantinham em pé), mas à figura máxima do Estado, espera-se que esteja ao nível do cargo que exerce. Espera-se que saiba as diferenças entre o papel de Presidente da Republica e o de Primeiro Ministro.

Nunes Liberato deveria ter-lhe dito isso, pelos vistos esqueceu-se…

Pelo discurso de ontem, Cavaco continua a viver numa realidade paralela.

Que triste fim, para quem à boleia de fazer a rodagem a um carro novo, chegou a primeiro ministro deste País.

 

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publicado às 13:57


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