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Yes mr. Minister

por escadas, em 24.06.16

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…e de repente toda a gente é entendida em assuntos europeus, mesmo aqueles que nunca votaram para o dito parlamento.

De repente toda a gente acha que os ingleses estão malucos (ou talvez não…).

De repente toda a gente se acha no direito de ser um Nuno Rogeiro!

Qué isso??? Nuno Rogeiro só há um e esse, ainda não eram oito da manhã já tinha a certeza de que David Cameron tinha atrasado a sua declaração ao Reino, porque estava ao telefone com o Presidente da China, depois de ter falado cm o Presidente da União Europeia e com Obama (não se percebe porque é que não falou com Durão Barroso e com Michel Temer).

Nuno Rogeiro sabe, tem certezas, tal como Ricardo Costa e a esmagadora maioria dos recém-criados analistas políticos. Esquecem-se no entanto estes “iluminados” que este “Brexit” não aconteceu ontem.

Esta fuga para a frente teve o seu início, no mesmo dia em que o Reino Unido se recusou a fazer parte da moeda única. O que aconteceu ontem foi apenas o culminar de uma arrogância insular, caracterizada por David Cameron em conluio com os responsáveis das instâncias europeias. É bom não esquecer, que o ainda (até Outubro ao que parece) primeiro-ministro inglês, ganhou as ultimas eleições com um discurso do mais populista que se tem visto, prometendo entre outras coisas, a realização do referendo que veio a perder!

A pergunta que todos fazem agora é; e como é que isto foi possível?

Eu respondo com a mesma sapiência que caracteriza José Manuel Fernandes; os políticos europeus têm sobrevivido ao longo destes últimos anos, olhando apenas para o umbigo uns dos outros (diga-se em abono da verdade que na maior parte dos casos, só olham para o seu…).

A participação cívica nos atos eleitorais que definiram o atual parlamento europeu e as instituições que o regem tem sido francamente deplorável se não mesmo dececionante. Os europeus há muito que se divorciaram destes políticos.

A europa da coesão e da solidariedade de Jean Monnet e Jacques Delors, deu lugar a uma sociedade de capital misto com interesses em paraísos fiscais e em sociedades de capitais de risco!

A isto tudo, junta-se uma Inglaterra que viveu sempre da mama europeia.

A culpa é apenas deste senhor Cameron? Claro que não. A culpa é da senhora Thatcher, do senhor Blair e de tantos outros autocratas que se têm auto glorificado à nossa custa. Hoje foi o Reino Unido (ou Desunido como alguns já lhes chamam), amanhã será a Dinamarca e a Holanda.

Em vez de meditarmos sobre isto, talvez seja esta a hora de tomar medidas concretas, como por exemplo, perguntar a toda a gente e de uma vez por todas:

QUEM QUER PERTENCER A ESTE CLUBE?

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 P.S. este não é o primeiro referendo britânico à permanência na União europeia. Em 1975 Harold Wilson promoveu um, tendo ganho o sim com a expressiva margem de 67%

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publicado às 16:10

AS VACAS QUE VOAM

por escadas, em 02.06.16

(e outros animais mitológicos)

 

 

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O congresso do partido Socialista, que se realiza este fim-de-semana em Lisboa, é uma boa oportunidade para refletirmos sobre a saúde da nossa democracia e a dieta a que tem sido submetida desde 1974.

Não sei se já repararam, mas temos quase tantos anos de democracia, como de ditadura o que nos deveria deixar de certa forma orgulhosos. Então por que não estamos?

Diz-se por aí que Portugal vive pela primeira vez desde 74, uma experiência de aliança à esquerda. Parece que as várias esquerdas resolveram entender-se, o que provocou uma azia tremenda em certos senhores ditos de direita, se fosse comigo eu também estaria a caixas diárias de Kompensan, pelo menos até o Partido Comunista acordar e perceber que se continuar a apoiar este governo, perderá a sua base eleitoral nas próximas eleições…por outro lado, há quem diga que Catarina Martins está de malas aviadas para o Teatro Nacional, abraçando assim uma profissão da qual nunca se divorciou completamente.

Mas se tudo isto é verdade (ou não…) ou pelo menos verosímil, porque é que o Partido Socialista não está contente?

Com excepção de Ascenso Simões, (cabeça de lista pelo distrito de Vila Real) que fez publicar uma notável reflexão sobre o momento atual do PS e a moção que António Costa apresenta a este congresso, a oposição interna praticamente não existe, resumindo-se apenas a meia dúzia de comensais que entre decibéis de refluxos de neofagia aguda, continuam ainda a viver em Lilliput!

Entre outras apreciações, Ascenso Simões afirma na entrevista citada que a moção que Costa apresenta a Congresso não passa de um “buraco negro” (ups…ó Dr. Galamba, parece que há pelo menos uma pessoa naquele Partido que não tem medo de falar…), mas eu gostaria de me debruçar noutra passagem do texto. Diz o deputado socialista que “ um Governo não é feito de uma só pessoa, um partido não é feito de uma só voz. Concordo, mas infelizmente não é verdade.

Temos assistido ultimamente a uma transformação profunda na forma como os partidos políticos (alguns) se têm reestruturado, a começar por exemplo pela implementação das eleições diretas. Mas se olharmos mais atentamente para a realidade deste PS, vemos que os caciques de outrora que dominaram o Partido e o fizeram perder várias eleições, continuam a dominar o aparelho do Partido, veja-se por exemplo o que se passa na Federação de Coimbra, que é digno de uma qualquer novela de “Corin Tellado” mas com contornos pidescos!

Por outro lado, as últimas sondagens demonstram sem margem para duvidas que continua a existir uma diferença clara entre António Costa e o Partido que dirige, ou seja, os portugueses confiam em Costa, mas continuam a ter dúvidas em relação ao Partido Socialista.

Até há poucos anos, os partidos, distinguiam-se entre si através de uma “coisa” chamada IDEOLOGIA. Quando eram chamadas a votar, as pessoas escolhiam entre partidos de acordo com a ideologia que representavam, comunistas, sociais-democratas, democratas cristãos e militantes extremistas apresentavam as suas propostas e o povo votava!

Hoje em dia, temos um Partido Socialista que é social-democrata, um partido Social Democrata que é popular e um Partido Popular que também é popular, apesar de ser democrata cristão; e ainda querem que as pessoas não se confundam?????

De facto, há muito que se deixou de votar em partidos. Quem acompanhou campanhas eleitorais sabe perfeitamente que as pessoas votaram no Sócrates, no Passos Coelho, no Portas e no Costa, em detrimento dos partidos que representam. São estas personalidades fortes (ou não) que arrastam as multidões e decidem os resultados eleitorais.

Dito isto, é legítimo perguntar para que servem então os partidos?

Será que posso avaliar determinado partido, através do comportamento de um seu qualquer dirigente? Voltando ao lamentável caso de Coimbra, será que os eleitores do PS de Coimbra irão definir o seu sentido de voto de acordo com o comportamento dos atuais dirigentes, ou olharão apenas para o comportamento de António Costa à frente do executivo?

E não é menos verdade que cada um de nós olha para o nosso colega de trabalho e tenta relacioná-lo com o seu partido político? Expressões como: “vê-se mesmo que é do PSD”, ou então “são todos iguais…” já há muito que fizeram parte do nosso dia-a-dia e demostram como apesar de tudo, tentamos integrar cada um, no todo.

Quando Miguel Cadilhe disse em 2005 que Cavaco Silva era um eucalipto (secava tudo à sua volta) o antigo ministro das finanças estava a caracterizar a personalidade política do antigo primeiro-ministro. Obviamente que não há comparação possível entre os dois políticos, mas podemos questionar os terrenos em que se move Costa hoje em dia. Não se pode acusar António Costa de ter secado o terreno à sua volta, antes pelo contrário, mas convenhamos que a imagem não é simpática.

Por enquanto, António Costa está sozinho a puxar um barco que teimosamente tenta ultrapassar todas as tormentas, mas a corda pode esticar por excesso e partir-se…

Enquanto português de boa-fé e contribuinte exemplar, desejo que esta “experiência” governativa surta efeito, mas se por mero acaso formos chamados às urnas antes de tempo e tivermos que olhar não só para Costa mas para a toda a sua “entourage”, iremos chegar a que conclusão?

O panorama não é brilhante, diria mesmo – obscuro.

Este é um tema que tenho a certeza que não será debatido neste Congresso, mas mereceria um pouco mais de atenção.

 

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publicado às 22:25

EM DEFESA DA MEMÓRIA DE LISBOA

por escadas, em 11.03.16

Sou um apaixonado por Lisboa, sempre fui.

Guardo memórias de uma Lisboa boémia, com bares de cores obscuras, vedados por portas que só se deixavam abrir a clientes menos dados ao chamado “main stream”. Casas noturnas em que mal se vislumbrava a cara dos clientes, tal era o fumo que inundava o espaço.

Ainda hoje guardo com melancólica saudade, o cheiro e as cores de uma pequena leitaria que existia mesmo no início da Rua do Alecrim. Era aí que parava antes de empreender a subida até à Rua Ivens 14, poucos minutos antes da meia-noite. Era aí que comia a minha última bucha, antes de entrar ao serviço na Radio Renascença. Foi aí que conheci a Joana, rapariga de meia idade que se prostituía nos bares do Cais do Sodré. A Joana tinha uma lista com a tabela dos barcos, que carregados de marinheiros escolhiam Lisboa periodicamente como ponto de paragem. Tal como eu, a Joana também tomava a sua última bucha naquela leitaria, antes de entrar ao serviço no Jamaica e no Escandinávia, Niagára ou Roterdão. A Joana conhecia de cor, as cores dos néons de toda essa fauna.

 

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Confesso que a primeira vez que entrei no Escandinávia, tinha as pernas a tremer. O ambiente era pesado. A “concorrência” era pesada, alma era leve (tal como a carteira). Valeu-me na altura a Joana que me apresentou a Maria, mulher corpulenta com mais de 100 kg e que ambicionava amealhar o dinheiro suficiente para abrir uma banca de jornais, era um doce de mulher. Também havia uma outra amiga que sonhava com uma peixaria! Estórias de vida que só por si davam um livro.

Mas não recordo apenas o Cais do Sodré. Lembro como se fosse ontem a primeira vez que entre no Maxime, já depois de completar 18 anos. O curioso desta história é que trabalhei durante alguns anos com muitas das artistas que abrilhantavam os shows daquela casa e no entanto o meu “tutor” na altura, o grande Vítor Mendes nunca me deixou entrar lá, alegando que não tinha idade para frequentar tal lugar!

Acabei por fazer a minha estreia pela mão do grande Paulo Fernando!

Muitos anos antes, já me tinha igualmente apaixonado por outra casa mágica, o Fontória.

O Fontória ficava quase paredes meias com o Maxime (o Vitor Mendes não tinha jurisprudência lá…) e ocupava a sub – subcave de um prédio na Praça da Alegria. Quem descia os lances de escadas da perdição, quase que parecia que estava a entrar nas profundezas do demo.

O "velho" Manolo fazia as honras da casa.

A média de idades das mulheres que ali alternavam, deviam andar pelos 50, 60 anos. As mesas eram decoradas com um oleado aos quadrados vermelhos e brancos, moda ultra retro, recentemente importada das Galinheiras. As bailarinas que atuavam duas vezes por noite, envergavam maiôs pretos, daqueles que se usavam na ginástica, decorados com fitas brilhantes iguais às que decoram as árvores de Natal. Eram quase todas “reformadas” do Parque Mayer!

O Wiskey era do pior que havia, Quem o bebia arriscava-se a nunca mais ser pai na vida!!!!

Em contrapartida, a orquestra era do melhor. Músicos que tinham tocado na Orquestra ligeira da Emissora Nacional. O baterista, cujo nome já não me recordo, dava aulas no Hot Clube, mesmo ali ao lado. E foi ali que conheci o verdadeiro Serafim Saudade. Foi ali que Herman se foi inspirar par afazer um dos seus mais populares “bonecos”.

Mas a cereja no topo do bolo, era a D. Lurdes. Senhora já de alguma idade que deambulava entre as mesas, com uma cesta de verga no regaço. Lá dentro…ROSAS!

Eram essas rosas que serviam de cartão-de-visita para se encetar conversa com as “meninas”. O processo era do mais romântico que existe; o cliente chamava a D. Lurdes, comprava uma rosa e pedia-lhe para a ir entregar a determinada” menina”, a qual viria depois à mesa agradecer acto tão nobre a cavalheiresco. Desafio qualquer um, a descrever-me coisa mais romântica do que esta!

 

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Dito isto, penso que está patenteado o meu amor por Lisboa e as suas ancestrais tradições.

Ora bem…nestes últimos dias, tem circulado por aí uma petição contra o encerramento do Jamaica e outras casas noturnas da zona do Cais do Sodré. Nestes últimos dias têm-se multiplicado os artigos de opinião, alguns dos quais assinados por gente que eu muito admiro, em defesa da tradição e do bairrismo lisboetas.

Insurgem-se contra a transformação de algumas casas típicas em hotéis de charme e boutiques de moda duvidosa.

Eu sei que muitos destes críticos, não têm idade para ter memória, por isso mesmo lembro que esta revolução imobiliária, não começou agora. Em boa verdade, teve o seu inicio muito antes da invasão turística que muitos criticam agora.

Sabem…em tempos que já lá vão, havia uma casa que se chamava “Ritz Club”, outra chamada Maxime, e um conjunto delas que estavam agrupadas num local que se chamava Parque Mayer.

Nada disso já existe!

Esses locais míticos, fazem parte apenas da memória de alguns, como a minha por exemplo.

Mesmo no Cais do Sodré, a maior parte das casas que animavam e deram nome ao local, já não existem há muito tempo, desapareceram com os marinheiros e estivadores que entretanto trocaram Lisboa por outras paragens.

Dizem algumas dessas vozes criticas, que o poder político (entenda-se a Câmara Municipal de Lisboa) deveria assumir o património dessas casas e zelar para que não desaparecessem.

Mas…e pergunto eu, onde estiveram essas vozes nos últimos meses? Frequentaram essas casas? Contribuíram de alguma forma para que não entrassem em processo de falência, como parece ser o caso?

Quantas delas foram nos ultimos meses ou semanas, beber uma jinjinha ao Rossio (sabem que também está em perigo?)

Onde estavam essas vozes quando o cinema Londres teve que fechar porque dava muito prejuízo, porque…eventualmente essas mesmas vozes, não foram ao cinema, as vezes suficientes…e o Condes e o Odéon e tantos, tantos outros?

É muito fácil deitar as culpas nos outros quando a nossa própria incompetência, nos manda ficar deitados, muito calados, a ver o que acontece (vide “rifão quotidiano” de Mário Henrique Leira).

As sociedades evoluem. É inevitável e na maior parte dos casos, essa evolução resulta da nossa própria intervenção. Lisboa tem mudado muito nos últimos anos. A maior parte dessas mudanças, resultam de interesses económicos apostados em gerar mais-valias, o chamado lucro.

O Mundo é composto de mudança como cantava José Mário Branco, e as sociedades tendem a adaptar-se a essas novas realidades, quais placas tectónicas, ou peças de um puzzle que tendencialmente nunca ficará terminado.

As lojas tradicionais estão a desaparecer? Estão!

Os Tuk Tuk invadiram a baixa da cidade? É verdade

Os restaurantes típicos substituíram as ementas para agradar mais aos turistas? Pois foi!

E já agora…não se esqueçam que o tão emblemático Papa Açorda, deixou o Bairro Alto, para se instalar na zona do Cais do Sodré!

Pois…Esta coisa da tradição só não é boa se for para os outros, não é D. Catarina???

 

 

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publicado às 23:13

EU É QUE SOU O PRESIDENTE DA JUNTA!

por escadas, em 25.01.16

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Portugal é um país com perto de 10 milhões de habitantes, dos quais 11 milhões são comentadores políticos, perto de 18 milhões especialistas em comunicação (política) e mais de 30 milhões, são estudiosos e profundos conhecedores das coisas do futebol!

Por isso mesmo, atrevo-me também eu, a escrever umas breves linhas sobre o resultado das eleições para a presidência da República.

Na noite de ontem tive oportunidade de ouvir alguns comentadores, referirem o facto de ser preciso fazer um “case study” sobre a campanha de Marcelo; sobre a não campanha, neste caso. Salientavam estes entendidos, que de futuro, as campanhas serão diferentes e que Marcelo inaugurou uma nova forma de fazer política.

Bem…Marcelo esteve mais de uma década em pré campanha!

Tinha um espaço de opinião política todos os domingos no canal de televisão mais visto em Portugal!

Nunca foi sujeito a contraditório!

Regra geral, as suas opiniões eram transformadas em sound byte!

A comunicação social transformou-o no “Professor”!

E agora digam-me… com este tipo de trunfos, o candidato Marcelo Rebelo de Sousa precisava de fazer campanha para quê? Só se fosse para baixar nas sondagens, as quais, lembrem-se, chegaram a atingir os 60%!!!

Marcelo foi levado ao colo, é um facto, mas que isso não sirva de desculpa para os restantes candidatos.

Desde logo os abjetos populistas, com Henrique Neto à cabeça, que em muito contribuíram para o resultado final da abstenção, aquele senhor que era candidato do PCP e do qual não me lembro do nome, e para aqueles que acham que o Bloco de Esquerda passa a vida a olhar para o seu umbigo…pois bem, tinham razão, de facto o eleitorado olhou para o umbigo (e para os ombros também).

Já o referi anteriormente, e neste dia de rescaldos, importa uma vez mais falar de Maria de Belém. Provavelmente de uma forma injusta, já que quem deveria ser abordado, eram quem a convenceu a avançar, forjando uma suposta sondagem que nunca existiu, com números completamente irreais. Quem deveria estar a ser julgado, é o responsável pela estratégia suicida de comunicação que impingiram à candidata.

Quem deveria ser acusado nesta altura, é o responsável, ou responsáveis, por esta atitude perfeitamente revanchista, demagógica e trauliteira! Onde estão aqueles que durante meses se agarraram ao telefone tentando convencer os autarcas do PS a apoiarem Maria de Belém? Onde estão aqueles que durante todo o Verão fizeram acreditar a classe jornalística que mais de metade do Partido Socialista estava ao lado da candidata Maria de Belém?

Esta foi uma campanha de equívocos. Desde logo, o episodio do logotipo, uma cópia quase fiel da campanha de Obama e que motivou a chacota geral nas redes socias, levando à sua substituição em menos de uma semana. E o que dizer do “timing” para o anúncio da sua candidatura?

E ainda se queixam estas almas de terem sido vitimas?

Estará ainda por perceber se parte da abstenção registada nestas eleições, não se deve à campanha vergonhosa protagonizada por Maria de Belém e a sua equipa. É um facto que muita gente tentou criar a ilusão de que não era necessário votar, outros optaram por desvalorizar o acto em si, mas no caso concreto de Maria de Belém, podemos teorizar sobre a transferência de intenções de voto (basicamente eleitores desiludidos) para o universo abstencionista.

Poderão perguntar; então e os outros candidatos não poderiam ter beneficiado dessas transferências?

Sim, poderiam, mas com excepção de Ana Gomes, não conheço mais ninguém que o tenha feito, a culpa neste caso é dos próprios candidatos e esta é a deixa para falar de Sampaio da Nóvoa, o meu candidato.

Do meu ponto de vista, Sampaio da Nóvoa cometeu diversos erros. Em primeiro lugar acordou tarde.

Tendo em conta que foi o primeiro candidato a apresentar-se publicamente, seria de admitir que teria mais tempo para se impor junto do seu eleitorado, mas tal não aconteceu. Arrisco mesmo dizer, que até ao anúncio de Maria de Belém, Sampaio da Nóvoa entreteve-se apenas em pequenas reuniões de amigos, aqui e ali…sem uma estratégia definida. Sampaio da Nóvoa teve o mérito de ser o primeiro a propor-se ao eleitorado, esteve muito tempo sozinho a disputar apenas consigo próprio e o fantasma da notoriedade, o espaço mediático e mesmo assim, não conseguiu tirar partido desta vantagem.

Pior ainda; ao recentrar a sua estratégia, fê-lo tendo com o objectivo claro, da disputa com Maria de Belém do eleitorado PS. Nada mais errado!

Não se retire destas minhas minhas palavras qualquer outra intensão ou significado - votei Sampaio da Nóvoa e votaria de novo amanhã se tal fosse necessário. Conheci o candidato de perto e devo dizer que foi das melhores pessoas que conheci até hoje. Sampaio da Nóvoa é uma referência na minha vida, enquanto cidadão, teria sido um extraordinário Presidente da Repúbica, tenho a certeza disso e não há nenhuma ambiguidade nesta minha apreciação - tal como dizia Abraham Lincoln "Só tem o direito de criticar aquele que pretende ajudar."

Mas voltemos à minha análise...

Um candidato presidencial que ambicione ser eleito, sabe que tem de falar ao “centrão”, é aqui que estão os votos que interessam. O Partido Socialista por si só nunca conseguiria eleger um candidato, fosse ele qual fosse. Alguns dos meus amigos poderão até dizer: ah e tal, mas a ideia era passar à segunda volta; sim é verdade, mas mesmo essa hipótese nada nos garantiria que Marcelo fosse derrotado, aliás, tenho até a impressão, que havendo uma segunda volta, Marcelo sairia vencedor com mais de 60% (ainda bem que é só uma impressão).

Também não partilho da ideia de que a esquerda estava dividida e que isso contribuiu para a vitória da direita, errado! Como se comprovou…mesmo que existissem apenas dois candidatos, nada garantiria que Marcelo não continuasse vencedor. A questão reside nos abstencionistas, que parecem ser cada vez mais, e esse poderá de facto ser um problema para a esquerda. A certa altura da campanha, até parecia que o adversário não se chamava Marcelo Rebelo de Sousa. Belém acusava Nóvoa, Edgar acusava Belém e Marisa, Marisa acusava Edgar, Neto acusava Sócrates e Morais acusava todos (incluindo ele próprio).

Este tipo de atitude microcéfala, promoveu a abstenção e o descrédito da classe política e esta foi outra das estratégias de Marcelo. A maior parte dos comentadores refere que Marcelo não fez comícios, não teve caravana, não teve cartazes, não teve nada, aliás… (comentário meu) Marcelo não teve mesmo nada, nem ideias! Marcelo não precisou de nada, pura e simplesmente porque já tinha tudo…e de borla!

Teve Judite de Sousa durante anos!

Teve Expresso aos fins-de-semana!

Teve SIC diariamente!

Até conseguiu ter RTP com emissão extra em dia de eleições!

Mas uma vez mais, que isto não sirva de desculpa, os outros candidatos é que não conseguiram conquistar os votos da abstenção e essa é uma vez mais a grande razão da vitória da direita em Portugal.

Num país cada vez mais acéfalo, dominado por telenovelas e “casas de Segredos”, qualquer Teresa Guilherme de Rans, consegue uma exposição bem acima da média. Emídio Rangel tinha razão.

Continuamos a olhar para o umbigo!

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publicado às 17:12

A ABADIA

por escadas, em 02.01.16

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Ao longo da minha vida, já fui mais de uma dúzia de vezes a Londres.

Curiosamente e porque ia sempre em trabalho, nunca tive oportunidade de ver a maior parte dos “landmarks” da capital britânica.

Desta vez foi diferente. Desta vez, muni-me de um mapa, comprei bilhetes antecipadamente e visitei tudo aquilo que é suposto conhecer-se!

Por isso mesmo, sinto-me uma “verdadeira autoridade” no que toca a locais de visita obrigatória, por isso mesmo, entendo que devo partilhar com todos, a verdadeira experiencia sensorial que vivi na Abadia de Westminster.

Já sei o que estão a pensar: “o gajo foi a Londres e foi visitar uma igreja?”

Westminster não é uma igreja qualquer. Esqueçam Dan Brown e as suas teorias da conspiração. Se quiserem saber mais coisas sobre este local mágico, googlem que vão encontrar muitas informações.

A abadia é visitável todos os dias entre as 9 e meia e as 17 horas. As visitas são pagas, os ingressos custam 18£ (25€ mais coisa menos coisa) e não se podem tirar fotografias.

Só que…às 17:00 é celebrada missa e esta celebração é acompanhada por um coro, “directamente descido dos Céus” que confere à ocasião um simbolismo único, acreditem e como é óbvio…não se paga!

 

Sim eu estive lá. Não me sentei na “Pedra do destino”, nem passei a mão pela cabeça de S. João Batista, mas relembrarei para sempre os 30 minutos que tive o privilégio de partilhar com todos os que encheram aquele espaço.

Estão ali sepultados, Isaac Newton, Charles Dickens e Charles Darwin entre outros. É ali que todos os Reis ingleses são entronizados e foi ali que Henrique III mandou construir defronte ao altar-mor em 1268 um fabuloso e majestático pavimento Cosmati, que merece a vossa visita demorada.

 

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A celebração termina às 17:30 e é precisamente a essa hora que os sinos começam a dobrar como se de um casamento real se tratasse. A vossa saída vai processar-se ao som telúrico destes sinos, conseguem imaginar? Ao vosso lado, ergue-se o majestoso Big Ben, guardião das mais nobres discussões que diariamente se travam no Parlamento inglês. Atrás de si o Tamisa e a mais recente aquisição britânica o “London Eye” (qualquer relação com o “all-seeing eye” é pura coincidência). Querem mais?

Portanto já sabem, da próxima vez que visitarem Londres, ponham na vossa agenda, uma visita à Abadia de Westminster.

Tenho a certeza de que, tal como eu, não se irão esquecer!

 

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publicado às 22:33

UMA QUESTÃO DE CREDIBILIDADE

por escadas, em 11.12.15

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NÃO SEI QUEM SERÁ MAIS CEGO…SE O QUE NÃO VÊ, SE O QUE NÃO QUER VER.

 

No dia em que passos Coelho e Paulo Portas decidem assumir publicamente o seu apoio a Marcelo Rebelo de Sousa, coincidindo com uma “sondagem”, tipo “banho de multidão” que dá a vitória ao mediático comentador, decidi tornar público a minha intenção de voto.

E para que não restem qualquer tipo de dúvidas, dia 24 de Janeiro irei votar em António Sampaio da Nóvoa.

Faço-o por vários tipos de razão e nenhuma delas é por exclusão de partes. Essa seria a pior das opções.

Tomei contacto com Sampaio da Nóvoa, quase no mesmo dia e à mesma hora que a maioria dos portugueses; dia 10 de Junho de 2012! Foi nesse dia que o então reitor da Universidade de Lisboa, fez o discurso  mais mediático que há memória em cerimónias oficiais. Estava longe de saber que apenas 3 anos mais tarde, estaria ali, lado a lado, com uma das pessoas que mais influenciou o meu pensamento político.

Repito, dia 24 de Janeiro, voto no único candidato que me representa enquanto português, no único candidato no qual me revejo.E explico porquê:

Já aqui o disse há uns meses; Herman José, Manuel Luís Goucha, Júlio Isidro e Ricardo Araújo Pereira, são excelentes comunicadores aparecem todos os dias na televisão, falam para milhões de espectadores, têm legiões de fãs, mas isso não faz deles (infelizmente em alguns casos) bons Presidentes da República. Marcelo rebelo de Sousa, sabe falar para uma câmara de televisão, (sabe enamorar-se da lente) conhece como ninguém os ângulos mortos do “decor”, mas a sua postura acaba aí. Para Marcelo, o acto político resume-se a uma sessão de autógrafos. Um pouco mais à esquerda (mas pouco) há um outro candidato, ou candidata como se preferir. Conheço Maria de Belém há muitos anos e a apreciação que faço da sua candidatura é meramente política, não misturo coisas. Maria de Belém é apenas um apêndice (pequeno) de alguma gente ressabiada que deixou de ter voz activa e que vê nesta candidata a melhor forma de ajustar contas com o fantasma do seu passado recente.

Temo que Maria de Belém acabe a percorrer esta estrada sozinha, desamparada, sem glória…

Confrontado com as mais recentes sondagens, alguns amigos mais chegados poderão dizer-me que apesar do meu optimismo Marcelo vai ganhar. Talvez assim seja, mas isso não retira em nada o mérito da candidatura de Sampaio da Nóvoa.

É verdade que não há vencedores antecipados, tal como não existem derrotados premeditados.

O que existe é gente que passa demasiado tempo a olhar para o seu umbigo, esquecendo-se que o Mundo cá fora muda todos os dias, todos os minutos, segundo a segundo.

Este é o meu compromisso, o meu empenhamento.

Vamos lá?

 

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publicado às 11:25

REALIDADE PARALELA

por escadas, em 27.11.15

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Tal como muitos de vós, também eu estive atento ao discurso que Cavaco Silva ontem proferiu na tomada de posse de António Costa e do XXI Governo Constitucional.

Já muito se disse sobre as palavra ocas e bafientas, com que o chefe de estado resolveu abrilhantar a cerimónia. Tentei relativizar o sentido telúrico das mesmas, mas por mais que tente, não me sai da cabeça um dos episódios mais caricatos da nossa História recente.

Estávamos em 1968…

 

Salazar já tinha caído da cadeira e Marcello Caetano sucedia ao velho e moribundo ditador na condução dos “destinos patrióticos da Nação”!

No entanto, o séquito bajulador que rodeava Salazar, e numa tentativa de adiar o mais possível a entrada no clube dos órfãos, criou uma realidade paralela, que era alimentada diariamente.

Tal como qualquer produção “Holiudesca”, Salazar era “alimentado” diariamente com noticias que o continuavam a dar como principal protagonista de um País, que de facto já não existia. Foram produzidas edições únicas de jornais, com noticias falsas, noticiários de rádio e reportagens de televisão, tudo para continuar a alimentar o ego masoquista de António Oliveira Salazar e o seu grupo de sanguessugas.

Salazar viveu os seus últimos meses numa realidade paralela.

Era-lhe “vendido” um país que não existia.

O discurso de ontem de Cavaco Silva, fez-me lembrar esta página negra da nossa história.

O actual Chefe de Estado, falou como se fosse ele ainda o responsável máximo do executivo. Fez ameaças e exigências como se dele dependesse o governo da Nação. Compreendo que Cavaco tenha saudades dos anos em que foi primeiro ministro, dos tempo em que uma só palavra sua, fazia cair os mercados bolsistas, dos tempo sem que os portugueses aprenderam que era feio, muito feio, comer Bolo-Rei de boca aberta!

É um facto que devemos elogiar o espirito patriótico e de sacrifício com que esteve na tomada de posse (quase que não se notavam os fios por cima da cabeça que o mantinham em pé), mas à figura máxima do Estado, espera-se que esteja ao nível do cargo que exerce. Espera-se que saiba as diferenças entre o papel de Presidente da Republica e o de Primeiro Ministro.

Nunes Liberato deveria ter-lhe dito isso, pelos vistos esqueceu-se…

Pelo discurso de ontem, Cavaco continua a viver numa realidade paralela.

Que triste fim, para quem à boleia de fazer a rodagem a um carro novo, chegou a primeiro ministro deste País.

 

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publicado às 13:57

ESPERANÇA

por escadas, em 24.11.15

Do muito que há para dizer no dia de hoje, voltam-me à memória, as imagens que produzi ao longo dos últimos 2 anos.

É com alguma emoção que as revejo e que percebo que não foi em vão, o empenhamento de tantos socialistas, portuguesas e portugueses anónimos que acreditaram ser possível uma mudança.

Não foi fácil, nunca foi fácil!

Com o dia de hoje, dou por terminada uma jornada que começou há mais de dois anos. Olhando para trás, apetece dizer que foi um enorme prazer, ter partilhado esta batalha com tantos e com tão bons amigos. Muitos deles, irão ocupar agora lugares de responsabilidade. Desejo a todos as maiores felicidades e sobretudo sorte…O país espera muito de vós! E como há uma esperança de novo ar, deixo aqui o balanço de dois anos de publicações que hoje, também elas, terminam a sua militância.

Tudo começou com isto:

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Começava a campanha interna para as "diretas" do PS!

 

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E ainda se lembram do apelo insistente à marcação do Congresso?

 

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Até apareceu no Rock In Rio!

 

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e pronto... (faria tudo de novo!)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado às 17:08

CADA VEZ SABEMOS MENOS

por escadas, em 06.11.15

 

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O eurodeputado Francisco Assis assinou ontem no jornal Público, um artigo de opinião para tentar justificar a realização do tão falado “Jantar da Mealhada”.

Assis, socorre-se do pensamento de Norberto Bobbio, político e filósofo italiano, que na sua época foi considerado um “enfant terrible” do PSI.

Mais do que um “D. Quixote” do racionalismo democrático italiano, Bobbio pode mesmo ser comparado aos libertários do sul da Europa, que com o desfecho da Segunda Grande Guerra, assumiram uma posição de rutura com o poder instituído e consecutivamente com “main stream”.

Contrariamente ao que Bakunin teorizava (1814-1876), estes novos cristãos tinham uma leitura da realidade mais estruturada e mais articulada entre si, quiçá mais burguesa!

 

Francisco Assis tem feito um percurso algo sinuoso, e à falta de um pensamento próprio, socorre-se (e eu quero acreditar que foi ele que escreveu o referido texto/paper) de autores estrangeiros, estes sim, com uma posição segura sobre a sociedade e a forma como os vários campos em confronto a fazem oscilar; Pedro Santana Lopes adotou há muito o mesmo processo!

Ao longo da sua vida, Norberto Bobbio (para quem a ética era um requisito indispensável para uma saudável relação entre a moral e a política) incompatibilizou-se com muita gente, entre eles o próprio líder dos socialistas italianos, Bettino Craxi.

Estiveram de relações cortadas, mas o imperativo nacional e a crise de valores que entretanto se abateu sobre os italianos, levaram o filósofo a reatar a velha amizade (foi um dos seus mais fervorosos apoiantes aquando da sua candidatura a Secretário Geral) e escreveu-lhe uma carta, da qual transcrevo o seguinte parágrafo:

"Nunca fui comunista, como sabes, mas agora que com o ruir do comunismo histórico teria surgido a ocasião propícia para uma grande iniciativa unitária, a pequena polémica quotidiana parece-me absolutamente estéril. Na minha opinião não basta mudar o nome do partido, pôr a unidade no título e aguardar que o filho pródigo retorne à casa paterna. Sem uma grande iniciativa, receio que não vá tornar (…) Mas eu não sou político, sou apenas um observador. Não exprimo propriamente uma opinião e muito menos faço propostas. Limito-me a expressar uma impressão." (12 de novembro de 1990)

 

Francisco Assis socorreu-se de Norberto Bobbio (e eu quero acreditar que foi ele o autor do texto) para dizer aquilo que não sabe expressar nem reconhecer.

No caso presente, deveria ter lido um pouco mais sobre a vida e obra do filósofo italiano, sobretudo a frase que o imortalizou a qual seria bom que Assis teorizasse sobre ela: “CADA VEZ SABEMOS MENOS”

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publicado às 16:22

O REI VAI NU

por escadas, em 22.10.15

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                                                   (normalmente tendo a não respeitar quem não me respeita)

 

Em 1975, Nina Fause protagonizou uma das mais hilariantes histórias que o mundo dos filmes para adultos já produziu. Nina queria a todo o custo engravidar de um homem rico, para que este lhe assegurasse uma vida plena de riquezas. No entanto e após diversas tentativas, descobre que nunca poderá engravidar pelos métodos tradicionais, pois o seu sexo está na garganta (coisas que só se vêem nos filmes porno).

Pelo meio desta aventura, Marilyn (Nina Fause) desdobra-se em encontros escaldantes entre os quais um dos senadores (William Margold) mais conhecidos da altura e que ainda por cima era casado.

A descoberta, já no final do filme de que nunca poderia engravidar, deita por terra (literalmente) todas as ambições da jovem Nina, transportando o espectador para uma realidade inesperada.

 

Este momento “Lauro António”, vem a propósito da comunicação ao País de Cavaco Silva. Confesso que já vi filmes porno mais interessantes, quer no conteúdo, quer na interpretação!

Se era para no dizer que estamos todos “€odi&os”, não era preciso dar-se a tanto trabalho, nem nos fazer esperar tanto tempo; já sabíamos disso há muito tempo.

Do meu ponto de vista a indigitação de Passos Coelho era a solução óbvia e a mais espectável e aquela que representa melhor os desejos da esquerda.

Esta é a altura de Passos Coelho fazer algo que nunca fez durante a campanha eleitoral – APRESENTAR UM PROGRAMA DE GOVERNO!

Esta é a altura de Passos Coelho fazer algo que nunca fez – CONTAS!

Passos Coelho têm contas a ajustar com os portugueses e o melhor sitio para isso acontecer, é na Assembleia da República.

Pedro e Paulo, têm contas a acertar com o destino, e este é o momento desse desafio.

Mas se este é um desígnio evidente, já o discurso de Cavaco Silva não passou de uma mera tentativa de prestidigitação (da má) da realidade portuguesa.

Cavaco mentiu!

Cavaco foi sectário.

Cavaco protagonizou um dos discursos mais fascistas e reaccionários dos últimos 40 anos de democracia.

Sinceramente, já vi filmes porno mais intressantes!

 

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publicado às 21:43


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